
A beleza da natureza é superior a ela própria, pois na beleza da natureza está também a beleza da vida. E na própria vida reside uma beleza suprema. Por sua vez, também a morte tem beleza. Uma beleza fria. Como o Outono. No Outono o chão cobre-se de morte. Mas uma morte de bronze. Linda e delicada morte. Mas trata-se de uma morte com sentido, uma morte que embeleza tudo e apenas deixa morrer para o novo nascer.
No inverno a beleza da chuva a molhar a terra, percorrer os troncos, encher ruidosas ribeiras. O próprio som da chuva e do vento são a melodia da beleza do Inverno. A beleza do som.
Engana-se quem diz que o vento uiva. Ele assobia e canta, a chuva dá ritmo e toda a terra e o que dela pertence escuta. Faz-se um silêncio belo apenas interrompido pelo silêncio da melodia muda.
O belo Inverno só existe porque a terra pede e tudo o que a terra pede é feito, pois ela é a deusa de tudo o que existe cá, nesse mundinho que ao Sol pertence. E este tem a Via Láctea como dona, que é do Universo. Mas como a Terra não conhece o infinito é dona de tudo o que existe, sem dono que se sobreponha. E quem sou eu para a contrariar? Sou sua serva e venero-a como tal. Venero a sua infinita beleza, a única beleza que conheço e a única que existe.
A Primavera chega para o comprovar. Como poderá haver beleza maior que o branco de uma rosa?! Não pode! Nem há beleza maior que a de uma árvore robusta e bela pela velhice. E jamais haverá coisa mais bela que a água. A água que embeleza o Sol ao reflectido para os nossos olhos de servos espectadores.
E a beleza do sabor? Oh! Que beleza mais apreciada. As flores das árvores viram deliciosos frutos. Deliciosos servos que são destinados à boca da terra para germinar mais servos da beleza, mas que nós servos espectadores comemos e nós servos nos servimos e nós espectadores interferimos na vontade da nossa bela deusa que pisamos com os nossos grandes e pesados pés esquecendo que a ela devemos a vida. Pois ela não se esquece o que nos deu, não se esqueço do Dom que desprezamos e pega nele de volta. Come-nos e depois cospe. E seremos a maçã que dela comemos, apodrecendo sempre de volta á sua bela e grandiosa boca. Mas come e rói quantas maças quiseres, não te esqueças é que também tu serás roído.
veronikita@live.com.pt - E-mail da autora
1 comentário:
o texto e mesmo lindo e faz uma boa comparasao da beleza das arvores e as maças com a gente ou seja nos humanos adorei ler contnua asim xd Diogo
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