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Eterna Mortal

As palavras escritas são eternas, os seus autores, por outro lado, são meros mortais. Sendo eu mortal e minhas palavras eternas, que eu seja "Eterna Mortal".

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Eu Me confesso: Já Amei...

«O meu nome é Luísa e gostava de saber se tu sabes o que é sofrer mais num minuto do que já se sorriu uma vida?

Eu sei…

E vou partilhar contigo a minha história.

Eu estava a namorar com ele, o Alexandre, à cinco meses quando decidimos ir viver juntos. Estávamos muito felizes, até que começou.

Eu era muito amiga do Miguel, que era seu melhor amigo, e o ciúme começou e foi para valer. Ele não só me proibia de sair como de usar o telefone, nem trabalhar eu podia ir quando ele estava com um ataque de ciúmes. Mas apesar da sua loucura, ele demonstrava tanto amor por mim, e tratava-me bem – às vezes – e eu amava-o… Como é difícil admitir que ele me fez sofrer tanto, pois eu não consigo acreditar que todo o amor, toda a cumplicidade e sonhos que tínhamos juntos não passou de ilusão.

Um dia tudo foi longe demais. Eu tinha saído com o Miguel porque precisava de falar, não lhe contava tudo, pois se o fizesse era capaz de me chamar louca por continuar com o Alexandre, mas contava pequenas coisas e esses pequenos desabafos concederam-me alguma sanidade. Claro que para o Alexandre eu estava a traí-lo e nesse dia… Foi o pior dia de todos.

Quando cheguei a casa ele estava à minha espera. Imaginem o terror que senti quando vi o seu olhar louco de raiva e intolerância a olhar para mim, o seu cachorro domesticado que acabou de infringir uma das suas regras – viver - Ele não disse uma palavra, foi na minha direcção apertou-me o pescoço com uma mão até não aguentar mais com o meu peso, ai, atirou-me para o chão e pontapeou-me como se de uma bola se tratasse, senti o estalar das minhas costelas, partidas por ele. Eu gritava e chorava, implorava que parasse, tudo inutilmente porque ele é que comandava tudo.
Perdi os sentidos quando ele me atirou contra sei lá o quê. Acredito que mesmo inconsciente devo ter levado muito mais.

Ás duas da manhã, quando acordei do meu sono de morte, ele estava a dormir no sofá. Deve ter ficado a olhar para mim a esvaziar-me em sangue, a esperar pela minha morte e adormeceu com a ideia de que me tinha dado o que merecia.

Não sem com que forças levantei-me e fui até casa do Miguel. Ele, o causador de tudo e o meu salvador. Mal a porta se abriu e ele pousou os olhos sobre mim ficou em choque.

- Que aconteceu? Estás bem? Foste assaltada? – Assolou-me em perguntas e cuidados.

- O Alexandre… - Cai, literalmente, em lágrimas.

Ele estava sem saber como ajudar e eu sem saber como ser ajudada. De que adiantava estar ali se nada ia mudar? Pelo menos estava segura estando longe de casa. A minha casa era o sitio mais perigoso que conhecia naquele momento.

O Miguel estava tão assustado como preocupado comigo. Tinha medo sequer de me tocar, medo de me magoar só de respirar para cima de mim.
Contra a minha vontade, lá ele chamou uma ambulância e mais uma vez o homem que amava me fez ir ao hospital.

Com três costelas partidas, cinco pontos na cabeça, alguns danos internos e outros hematomas, estava preocupada com o que seria da nossa vida a dois. Como ia eu olhar para ele? Como ia ele ficar ao saber que eu tinha ido ter com o Miguel? Como iria reagir ao saber que me tinha feito tanto mal?

O Miguel passou a noite comigo no hospital, de manhã, acordei com um polícia do meu lado á espera da minha denúncia. Recusei-me a apresentar queixa. O Miguel prometeu-me que se não o fizesse ele iria mata-lo. Disse isso com tanta raiva e frieza que me convenceu.

Isso foi tudo á cinco anos e ainda me dói saber que vivi na pele uma história assim, logo eu que sempre disse que era incapaz de tolerar uma coisa dessas. Mas tolerei, e tenho marcas que o provam.

Era tudo tão intenso que era difícil distinguir o bom do mau.

Agora sou feliz, tenho uma filha de cinco meses e estou casada e feliz à um ano. Casei-me com um homem que me respeita e me adora e nunca perdi a amizade de Miguel, que agora não só é padrinho da minha filha como é meu melhor amigo para sempre.

Quanto ao Alexandre, viu-o o outro dia no centro comercial com uma jovem. Foi dolorosa tal cena e mexeu comigo a tal nível que fugi dali. É lamentável que ele esteja à solta e já tenha outra vitima em mãos… mas não sei como ajudar…

Luísa de Coimbra»

Qualquer semelhança com a realidade, com a tua ou de algum conhecido, e ficas a saber que existe melhor do que isso à tua espera ou do teu conhecido, sê feliz e/ou faz alguém feliz.

veronikita2live.com.pt - e-mail da autora
Publicada por Unknown à(s) 05:20

1 comentário:

Anónimo disse...

Apesar de nao gostarmos de ver isto e uma realidade que existe neste mundo e alem disso o amor nao e ciumento na minha opiniao acho alexandre uma pessoa demasiado orgulhosa e quer tudo para si e que nao pode perder. foi um texto mesmo realista e gostei tambem de o ler. lol Diogo

10 de abril de 2010 às 04:44

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