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Eterna Mortal

As palavras escritas são eternas, os seus autores, por outro lado, são meros mortais. Sendo eu mortal e minhas palavras eternas, que eu seja "Eterna Mortal".

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Me Confesso: Cresci...

«Quantas vezes já não achaste que os teus pais são tudo aquilo que tu não queres ser? Talvés não sejam assim tão maus. Vá lá… Só porque te dão cabo do juízo não quer dizer que sejam maus pais. Eu é que tive maus pais. Aquele tipo de pais que só soube fazer os filhos e na parte de criar chumbou o exame. De certeza que como eu há mais.

Tenho muitas cenas lindas graças a eles. Imagina como te sentias se os teus pais se esquecessem do teu aniversário… outra vez.

Muito lindo, não?

Na verdade, não é assim tão mau, se virmos que o jantar nunca foi feito ou o almoço foi sempre adiado para o jantar… o jantar que não foi feito, estás a ver?

É difícil estudar para um teste com os pais a discutir na cozinha, é impossível cala-los e difícil tomar um duche para relaxar quando não há água quente ou simples sabão. Era impensável falar nisso com os amigos porque eu tinha vergonha. Tinha vergonha de ser julgado ou que julgassem os meus pais, tal como eu fazia interiormente.

Mas até os amava.

Quando o meu pai saia depois de uma discussão e a minha mãe ficava agarrada a uma garrafa a chorar. Eu ficava sentado nas escadas a ouvir e sentia pena. Sei que fica mal para um rapaz dizer isso, mas eu ficava a chorar nas escadas sem saber como ajudar e cheio de pena e ódio, ao mesmo tempo que a amava mais que tudo.

Também amava o meu pai.

Quando ele me levava para caçar - adorava caçar com ele - ele estava mesmo empenhado em me impressionar e me fazer rir. Ficava com pena dos coelhos, mas ficava tão feliz com o ar de satisfação do meu pai quando me via com um ao ombro.

São dos bons momentos que guardo.

Também não posso esquecer quando a minha mãe decidia fazer um bolo e me chamava. Nessa altura já estava bêbeda, mas que interessa. Sorria e brincava e sujava-me com a massa. E no fim, com a cozinha um caos maior que a sua mente, sentávamo-nos no chão a raspar a massa crua da pana enquanto o bolo cozia.

Infelizmente esses bons momentos não anulam todos os maus momentos. Todas as discussões em que eu ficava esquecido nas escadas. Nem a agonia de não poder fazer nada. O ódio e a raiva que sentia por os amar tanto e eles me fazerem sofrer assim.

Felizmente cresci.

Rui…»


veronikita@live.com.pt - e-mail da autora
Publicada por Unknown à(s) 07:55

1 comentário:

Anónimo disse...

isto acontece a qualquer uma pessoa fica triste de os pais estarem a brigar entre si mas que adoram o filho as vezes pode acabar tudo bem ou mal mas isso e o que nos faz crescer. mesmo bom o texto Diogo

10 de abril de 2010 às 04:40

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