skip to main | skip to sidebar

Eterna Mortal

As palavras escritas são eternas, os seus autores, por outro lado, são meros mortais. Sendo eu mortal e minhas palavras eternas, que eu seja "Eterna Mortal".

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Eu... Eu Confesso Que Sou Humana


Não sei porque sofro se sou feliz. Não sei porque sou a minha maior inimiga se me amo. Não sei porque não consigo estar livre para dizer o que sinto ou chorar quando preciso. Não sei porque me faltam lágrimas em momentos de grande frustração, impotência, confusão e desilusão.
Não sei muita coisa sobre mim. Mesmo assim, sou a pessoa que melhor me conhece. Sendo assim, sou uma desconhecida. Eu sei.
O ser humano julgasse conhecedor de muito. Conhece o universo, conhece os átomos e as células. Conhece os compostos de muita coisa. Sabe os saberes que são ensinados. E não sabe mais que isso. Limitasse a saber o que é ensinado e o que é experimentado. E o resto? E o realmente importante? O mais provável é nem saberem o que é o mais importante.
O mais importante é apreender a ser. Ser um ser que seja alguma coisa mais que um corpo oco. Ou pelo contrário, um corpo cheio, mas cheio de lixo e más energias. Ninguém nos ensina a ser humanos, ninguém nos ensina a lidar com os nossos sentimentos. Temos cruzes, dores, raivas, medos… Alguém, alguma vez se deu ao trabalho de nos ensinar a lidar com isso?
Algumas pessoas tentam ajudar. Mas dão a ajuda errada. Ajudam a livrar dos problemas. Mas o maior problema de cada um é não saber lidar com os seus problemas. Como se ajuda a livrar desse problema? Não se livra! Porque se pudéssemos livrar-nos dele, isso significaria que nos ajudam da maneira certa. E isso não está certo. Por isso, temos sempre algum problema, nem que seja o facto de existirem problemas, mesmo que não os nossos.
Bem… como as pessoas sofrem com os problemas e não sabem lidar com eles sofrem sempre.
Na sociedade, todos sofrem. Mas nem todos vemos sofrer. Nem todos parecem sofrer. Nem todos sabem sofrer. E não saber sofrer faz parte do problema de não saber lidar com os problemas. Que problema doloroso é esse!
Apesar de tudo o que disse anteriormente estar certo, nem sempre temos consciência de que estamos com problemas, portanto, nem sempre estamos a sofrer conscientemente. E quando não sofremos conhecemos coisas boas nesse mundo. Como o amor.
Como é bom amar. Gostar de alguém e ser gostado. Querer agradar e ser agradado. Querer beijar e ser beijado.
Isso é tudo muito bonito. Até que tomamos consciência de que temos um problema. Samos humanos! E como tal, temos de complicar tudo.
É científico, temos a necessidade de destruir o que mais gostamos. Basta pensares no último prato maravilhoso que tiveste à frente. Lembraste? Estava mesmo com bom aspecto. O que fizeste? Mastigaste tudinho. Outro exemplo é o mundo. Adoramos ser os donos do mundo, adoramos ser o topo da pirâmide. E o que fazemos? Destruímos o mundo.
Somos mesmo humanos.
Voltando ao amor. Voltando á cena em que estão apaixonados.
Tu estás mesmo pelo beicinho. Quando te apercebeste que és humano e tens de complicar tudo. O que fazer? É comum precisares de espaço. Precisares de um tempo. Ou seja, vais ficar sozinho. Pois tempo e espaço é o mesmo que mudar de planeta.
Já reparaste que esse planeta está cheio de gente? É que é mesmo incrível. Olhes para onde olhares só vez pessoas. E mesmo estando cheio de pessoas é tão fácil e comum sentires-te sozinho.
Eu sei que sinto. Posso estar rodeada de pessoas e estou sozinha. Fechada em mim. Fechada na minha mente. E sem grande possibilidade de escapar e pedir ajuda para não voltar a estar presa e só. Afinal, estou sozinha. E se não há ninguém por perto, a não ser os muitos humanos que os meus olhos me mostram, como posso pedir ajuda?
Difícil de responder eu sei. Mas há sempre companhia. Temos sempre companhia quando estamos sozinhos. Confuso? Eu sei. Sei muito apesar de não saber muito sobre o tudo. E sei de que companhia estou a falar.
Pensa na última vez que estiveste em casa sozinho. Não estava ninguém por perto, mas não estavas propriamente mergulhado na tua mente. Estavas livre da tua consciência. Estavas num estado a que chamo, o estado da anormalidade. Que é o estado em que não está tudo mal, mas também não estás em êxtase porque não estás a pensar no que está bem. Nesse momento estavas com a companhia de ti próprio.
É claro que a nossa companhia pode ser deprimente, pois se só estás contigo, tens tendência a pensar. E pensar não é uma boa ideia quando só estamos connosco. Deves ter começado a ficar farto de estar contigo e querer mandar-te embora. “Calar-te.” Quando estás assim – farto da tua voz interior – a tua consciência já está a falar. E quando ela fala… é muito difícil fazê-la parar. Ficas triste, podes até chorar ou simplesmente deprimir.
Mesmo nesse instante, não estás verdadeiramente sozinho. Nesse estado de alma, que chamo de estado de “sei lá o que estou a fazer no mundo”, temos uma companhia muito desprezada e esquecida. Estás na companhia da solidão. E o facto de te sentires sozinho é uma grande companhia. Quanto mais sozinho te sentires, mais companhia tens.
O problema dessa companhia é que nós não lha damos valor. O que a torna um pouco assustadora. E nesse estado de “sei lá o que estou a fazer no mundo” em conjunto com a grande companhia da solidão, remexemos no passado. Lembramo-nos de coisas boas ou más que nos trazem uma nostalgia amarga e ficamos com medo. Os nossos medos vêm ao de cima.
Ao estado em que os nossos pensamentos são “Quero morrer!” e “Só gostava que X pessoa estivesse aqui comigo”. Esse estado é o estado terminal. Estado em que nem a própria solidão tem paciência para nos sofrer e que gostávamos de ter alguém por perto para ver o quão patético samos e como afinal a nossa blusa azul de que tanto gostavam afinal é muito feia se estivermos a usar olheiras de choro como acessório.
Acima de tudo, queríamos alguém que nos amasse nesse momento em que nós não conseguimos. Ou melhor… tu! No momento em que tu não consegues. Afinal estás sozinho. A solidão está contigo, mas não te faz companhia. Virou-te as costas e só não se vai embora porque não encontra saída. E quem me dera a ti virar-te as costas também, mas não consegues imaginar como isso se faz.
Segue-se o medo E no meio de tanta confusão e conflito de ideias, já não sabes o que queres ou do que tens medo.
Afinal como é que tudo começou? Ah! É verdade! Ficaste sozinho em casa. Depois desse episódio de a minha vida é uma treta percebesse porque te envolveste amorosamente numa relação que á partida sabias que não ia dar certo.
No entanto, é possível que nunca tenhas ficado sozinho em casa. Pelo menos sozinho ao ponto de teres tanta companhia. E podes, mesmo assim, conhecer tudo o que falei de forma menos ou mais intensa. Sabes uma coisa? Isso só quer dizer que és humano. Lamento ser eu a dizer-to.
Alguma vez se viu um leão selvagem enrolado em si próprio a deprimir? Ou uma zebra a comer erva para se sentir melhor com o facto de não ser amada? E com certeza que nunca se viu uma raposa ir comprar um casaco de peles porque se achava muito feia.
Os humanos pelo contrário fazem tanta vez isso que pode ser considerado parte do comportamento normal do ser humano.
(...)
Que hei-de dizer? Humanos...

veronikita@live.com.pt - e-mail da autora
Publicada por Unknown à(s) 12:12

1 comentário:

Anónimo disse...

ninguem da valor a companhia que nos temos a solidao eu nao o dou e de certeza nao irei dar porque nao e qualquer pessoa que considera a solidao uma companhia tal como disseste no texto e de facto tens a tua razao tambem concordo plenamente com este texto xDiogo

10 de abril de 2010 às 04:55

Enviar um comentário

Mensagem mais recente » « Mensagem antiga Página inicial
Subscrever: Enviar feedback (Atom)

Textos Postados

  • ►  2015 (1)
    • ►  janeiro (1)
  • ►  2014 (6)
    • ►  dezembro (3)
    • ►  novembro (2)
    • ►  outubro (1)
  • ►  2012 (7)
    • ►  julho (2)
    • ►  junho (2)
    • ►  maio (2)
    • ►  abril (1)
  • ►  2011 (16)
    • ►  dezembro (1)
    • ►  novembro (3)
    • ►  outubro (3)
    • ►  setembro (1)
    • ►  agosto (4)
    • ►  julho (1)
    • ►  junho (1)
    • ►  maio (2)
  • ▼  2010 (25)
    • ►  novembro (1)
    • ►  setembro (1)
    • ►  agosto (1)
    • ►  julho (1)
    • ►  junho (2)
    • ►  maio (1)
    • ►  abril (5)
    • ►  março (2)
    • ▼  fevereiro (11)
      • Beijos do Além
      • Realiza o Teu Sonho
      • Me Confesso: Cresci...
      • Eu Me confesso: Já Amei...
      • Perdi o Amigo Que Nunca Tive
      • Mancha
      • Tela Em Branco
      • Maus-Tratos Em Crianças
      • Eu... Eu Confesso Que Sou Humana
      • Poema De Élio Branco
      • A Nossa Deusa

Sobre mim

Unknown
Ver o meu perfil completo

Seguidores

 
Copyright © Eterna Mortal. All rights reserved.
Blogger templates created by Templates Block
Wordpress theme by Uno Design Studio