Não me é permitido sentir raiva?
Não me é permitido sentir raiva sem ser julgada de demente?
Pois sinto raiva. Há ódio em minha alma.
Quem é capaz de amar é capaz de odiar.
Há ódio, raiva e revolta em minha alma
Não me é permitido gritar?
Não me é permitido respirar?
A raiva é ódio que me come a alma, quase me come a carne e não posso gritar de dor?
Raiva é dor.
A dor do ódio, da revolta, da frustração.
Tantas razões podem existir para a raiva, tantas razões podem existir para lágrimas.
Não me é permitido sentir raiva?
É suposto ignorar um dos sentimentos mais corrosivos que existem?
É suposto deixar que me destroi-a o interior?
Não!
Não me podem impedir de sentir!
Não me podem impedir de gritar!
Não me podem impedir de respirar
De me libertar da dor
Da dor da raiva
Pois raiva é dor
A dor de sentir
A dor de ódiar
Uma dor que corrói
Por isso sinto
Por isso grito
Por isso respiro
Respiro muito
Mesmo que cortados em soluços, encho os meus pulmões de ar
Mesmo que cortados em lágrimas meus olhos fulminam
Por fim o fogo apaga-se, o mar acalma-se, as nuvens desaparecem
Por fim posso pensar
Por fim posso saber o porquê de tanta raiva
Não há lume que se pegue sem causa
E não se pega lume a copos de água
Por muito fogo que haja, a água não se incendeia.
Logo em mim estava lenha, carvão e gasolina.
A culpa não é do fósforo
Afinal, se eu fosse água o fósforo nada me faria
Em mim está a culpa da minha raiva
Aos fósforos a atribuio.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
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1 comentário:
Bonito poema;D Diogo Moniz
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