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Eterna Mortal

As palavras escritas são eternas, os seus autores, por outro lado, são meros mortais. Sendo eu mortal e minhas palavras eternas, que eu seja "Eterna Mortal".

sábado, 8 de maio de 2010

Me confesso: Soube e Nada Fiz

.....................................
Imagina se a tua irmã, prima, amiga ou até mesmo a tua mãe era violada. Difícil e até horrível de imaginar. Saberes que já aconteceu, ainda pior. Saberes que neste momento pode estar a acontecer à irmã, prima amiga ou mãe de alguém… Horrível…

No entanto, pela tua irmã, pela tua prima, pela tua amiga e pela tua mãe, por todas as mulheres, crianças e afins, lê essa confissão real.
Talvez ao imaginares essa história com uma conhecida tua possas compreender a gravidade, a dor.

Essa história é real, mas será narrada por mim:

“Sou um aspirante a padre e esta história aconteceu, ou melhor, tomei conhecimento dessa história quando estava a tirar a carta.

Decidi ir dar uma volta de carro e ao passar pela praia vi uma rapariga que me chamou a atenção pelo seu estado lastimável. Estacionei e fui falar com ela. Fiquei chocado com o que ouvi daquela voz ferida de gritos e segui os seus gestos de desespero manchados de sangue. Sim! Sangue! Estava suja do seu próprio sangue.

A sua voz fraca me confessou o que agora te confesso. Ela, iludida por amor, iludida por um rapaz que conheceu no MSN, veio do Brasil em busca de amor. Ele foi buscá-la ao aeroporto com um sorriso e levou-a de carro até à praia em questão. Seguidos por um outro carro todo o percurso. Sai do carro três rapazes, conhecidos do sacana que a fez viajar.

A praia, um sítio tão romântico, sítio onde ela foi espancada e violada por quatro rapazes. Um deles que a levou a viajar em busca de amor, de romance…

Levei-a de volta ao aeroporto, nunca mais soube nada dela. O que sucede é que nunca esquecerei o seu abraço desesperado em lágrimas e soluços, uma dor tão forte que me doeu.”


.............................................
Imaginem a dor, imaginem a agonia, imaginem a desilusão.
Ele que a iludiu com palavras doces e conversas apaixonadas foi o primeiro a servir-se do seu corpo. Ele que lhe jurou amor, foi o primeiro a lhe bater. Agarrou-a não para um beijo apaixonado mas para lhe rasgar as roupas e usá-la como um objecto.

A tua irmã foi violada, iludida com amor, desiludida com a dor.

Sem poder fugir, sem poder gritar, sem poder se mexer.

Agonia, dor, gritos, larga-me, deixa-me, não me faças mal, não a larguem, segurem-na, é a minha vez, cala-te puta, gemem e sentem prazer, não param, não se casam, não um, quatro, à vez, até não aguentarem mais, até doer, mas doer já dói, mas ainda faltam três e repetem e divertem-se e brincam e gozam e se vêm e ela só chora só tenta se soltar, só chora, só tenta gritar, só chora e sente dor e dor e dor, desespero, agonia e soa-lhe tudo a pesadelo, a inacreditável, a irreal.

Lágrimas, sangue, memórias, feridas, ódio, raiva sujidade que não se lava, nojo que não se esquece, pesadelo que não se apaga, criança que não devia ter sido feita.

Fruto do pecado, do crime, da memória, da desilusão. Eterna lembrança que anda e corre e brinca e sorri e de nada sabe sobre as lágrimas secretas da mãe a cada abraço do filho, na lembrança viva do dia em que foi feito, na lembrança viva de quatro pais e sem nenhum. Uma mãe, uma castigada, uma condenada a amar a sua magoa, condenada a reviver o que não era suposto acontecer, uma mal amada, uma iludida.

Os rapazes?! Para eles foi uma experiência, deram aquela puta uma lição.

Para ela?! Dor sem fim. Impossibilidade de amar e de confiar. Trauma para a vida. Um filho, um desgosto, o fim, a morte da sua alegria, da sua esperança, da sua inocência, deu origem ao inocente filho que tem. O único. O filho que castiga por não saber amar, o filho que bate por lembrar, o filho que não queria ter, que quer amar e não consegue, o filho que sofre por não ser amado e os rapazes que estão exactamente como estavam antes de tudo ter acontecido.
Publicada por Unknown à(s) 15:23

2 comentários:

Anónimo disse...

é uma historia verdadeiramente triste mas ao confrotarmo-nos com a realidade faz-nos crescer de dia para dia. XDiogo continua veronica força ;)

8 de maio de 2010 às 15:51
Verónica C. disse...

uhhhh... Tocante ! :x

E muito bem escrito mesmo...parece que tamos a assistir... à cena chocante :x

10 de maio de 2010 às 06:14

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