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Eterna Mortal

As palavras escritas são eternas, os seus autores, por outro lado, são meros mortais. Sendo eu mortal e minhas palavras eternas, que eu seja "Eterna Mortal".

sábado, 10 de abril de 2010

A drogada


Ansiedade, desejo, ansiedade, pressa, ansiedade crescente, uma picada e …prazer. Prazer que corre pelas veias. Veneno que corre sem ter pernas e que mata sem ter armas, porém, é vida, sente-se vida a explodir sob a pele. Prazer total.

A miúda sem nome está drogada. A miúda sem vida está drogada. A puta está drogada. Aquele lixo está drogado. Mais uma drogada, que interessa? Interessa! Interessa sim! Ela é o lixo de alguém. Alguém que a deitou fora.

A miúda sem nome amou. Agora odeia.

A miúda teve uma vida feliz e contente. Era acarinhada e bem tratada. Sempre feliz e sorridente. Vivi-a para a família e amigos. A sem nome antes era Maria, agora não, agora não tem nome, não tem família, não tem amigos.

A miúda sem vida já respirou. Agora inala.

A miúda amou e foi amada. Foi amada. Lutadora derrotada. Uma miúda apaixonada. Uma drogada. Antes cheirava as sobremesas da sala, agora leva com os cheiros desagradáveis da rua na cara. Perdeu família. Desistiu de amigos.

A puta confiou. Agora não.

A puta inspirava harmonia. Harmonia que desvanecia, mas existia. A puta lutou, tentou, falhou. Gritos, socorros, desesperos. A puta tentou mas falhou. E só o cheiro a fumo restou do churrasco que ditou o começo.

O lixo não o era. Agora foi entregue ao destino.

O lixo confiou. O lixo se entregou no desespero confiando. O lixo foi traído. Mais gritos, força, um estalo ou dois, “cala-te”, “pára”, “não te mexas” e “não me faças isso”,” puta”,” por favor pára”. Tornada em lixo. Atirada para o contentor e levada para um caminho, o caminho que ditou o fim.

Entregue ao nada e sem nada, entregue à sombra e à ausência de luz, Maria perdeu o nome, pois perdeu importância, pois perdeu vida, pois perdeu esperança e perdeu-se no meio de tudo, perdeu-se no meio de nada e está perdida para sempre na sua triste e cheia mente, cheia de tudo e de nada, pois está drogada, morta. Morta está também sua família. Arde a droga na colher, arderam os seus no inferno. Suga a seringa a droga, injecta a drogada na veia. Corre o sangue, mata-lhe o sangue a cada batida do coração. Não! Não tem! Não tem salvação, encontrou solução. Morta está toda a família.
Publicada por Unknown à(s) 15:40

2 comentários:

Verónica C. disse...

Mesmo super intenso esse texto ! Até parece que tams na pele da "personagem"... +.+

10 de abril de 2010 às 16:48
Anónimo disse...

o texto e medonho de se ler mas e a pura realidade de muita gente que se mete na droga...xDiogo

11 de abril de 2010 às 07:36

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