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Eterna Mortal

As palavras escritas são eternas, os seus autores, por outro lado, são meros mortais. Sendo eu mortal e minhas palavras eternas, que eu seja "Eterna Mortal".

domingo, 21 de março de 2010

Minha Utopia


Dinheiro.

Todos o querem e alguns fazem tudo por ele.

O centro da vida de muitos.

Pode comprar de tudo, inclusive uma vida.

Como nos podemos rebaixar tanto ao ponto de termos preço?

A nossa hipocrisia é tanta que nos atrevemos a dar preço, vender e comprar o que não nos pertence.

Vendemos, compramos dá-mos preço à natureza.

A beleza de uma flor compra-se.

O sabor de uma fruta, compra-se.

O cheiro de um jardim compra-se, e vem dentro de um bonito frasco. Um frasco de vidro que acabará por ficar num jardim por décadas até se tornar parte da terra.

Compra-se saúde e doença.

Compra-se bem-estar.

Pode-se obter imenso com um cartão de crédito, não achas?

Até a cadáveres dá-mos preço.

Um casaco de peles, uns sapatos de couro ou até o teu jantar. Sim! Já compras-te cadáveres e serviste-os para ti e para os teus. Comeste da carne morta de um ser puro, livre de maldade.

A beleza tem preço.

Que Deusa? Que belo homem? Que visão?

Apenas se vê dinheiro nos poros dessas belas senhoras e nos músculos de uns senhores.

Um careca com cabelo de dinheiro.

Róis as unhas mas as tuas unhas são enormes… são unhas de dinheiro?!
Pele livre de pêlos, livre de borbulhas, de cicatrizes, de marcas de vida, livre da idade…

Estás livre?!

Não! Não estás! Estás condenado. Preso a dinheiro. Toda a tua vida e conforto gira à volta da maior, a mais grandiosa, a mais importante e estúpida invenção do homem. Nós inventámos o que nos condena. Inventamos papel. Inventamos dinheiro.

Para nascer é preciso dinheiro. É preciso dinheiro para viver. Até para morrer é preciso dinheiro. E morrer é bem caro. Olha o preço dos caixões.
Pois é, caixões, vivemos em caixas, prisões pagas com o nosso dinheiro e quando morremos nos entregámos a uma caixa. Mais uma caixa…


Não estaremos nós a treinar-nos para a nossa morta toda a vida?

Não sei isso, mas sei que é engraçado que sejamos nós os autores das nossas desgraças como espécie.

Quer dizer, matámo-nos uns aos outros, roubamos o que fomos nós que inventamos, destruímos a felicidade dos como nós, magoamos quem mais amamos e samos esfaqueados por quem confiamos a nossa vida. Será que podemos ter orgulho na nossa espécie? Eu não tenho…

E se pensares bem, que motivos teríamos para ter orgulho nos assassinos de um planeta inteiro?

Matarmos a nossa espécie já é mau, mas destruir todo um planeta, toda a beleza que admiramos, toda a vida que conhecemos, todas as espécies e história de um mundo.

Seremos inteligentes?

Penso que não. Penso que samos só demasiado ambiciosos e queremos todo o conhecimento e invento possível.

Se pensares no assunto, é como atirar o maior número de bolas saltitonas para uma parede que está muito longe de nós porque podemos. Eventualmente as bolas vão regressar para trás e bater-nos. É lógico.

Admito que apesar de tudo, até é fascinante a nossa capacidade de pensar, a nossa mente. Embora isso não seja consolo para todo o mal que fazemos.
Existem animais mais inteligentes que nós, mas não da forma que estamos habituados a classificar inteligência.

Por exemplo, os elefantes, são animais muito sociáveis e protectores, bondosos, simples, e, sim, muitíssimo inteligentes. Uma inteligência mais pura que a nossa. Uma inteligência que não está poluída. Pois o homem nasceu para poluir e até a sua mente poluiu.

Como muitas pessoas já me ouviram dizer, somos um erro da natureza.
A única coisa perfeita, que liga tudo através de energia e simbiose cometeu um erro.

Felizmente vamos ser exterminados pela nossa santa e sensata mãe. Ela vai corrigir esse erro acabando connosco. Coisa que já devia ter feito. Mas ainda resta alguma bondade em nós, que se esgota todos os dias até ao dia que deixaremos de existir.

Cada vez menos bondosos, menos puros, menos inteligentes, menos animais e mais humanos, cada vez mais um erro.

A minha utopia?

Um mundo de harmonia e equilíbrio. Com mortes necessárias que só dão o tal equilíbrio necessário à harmonia do mundo.

Claro que nesse mundo não existem erros. Afinal de contas, no meu mundo ideal, eu não existo, tu não existes e toda a espécie humana não é mais que pó sobre patas e raízes belas e livres de maldade, de dinheiro, de caixas, de hipocrisias… livre de humanos.

A nossa morte é a tal morte que dará equilíbrio a esse mundo.

Descansemos em paz.


E-mail da autora: veronikita@live.com.pt
Publicada por Unknown à(s) 05:47

1 comentário:

Anónimo disse...

e bem verdade o ke dizes e pena pouka gente pensar asim mas tem sempre alguem ;) Diogo

10 de abril de 2010 às 04:33

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