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Eterna Mortal

As palavras escritas são eternas, os seus autores, por outro lado, são meros mortais. Sendo eu mortal e minhas palavras eternas, que eu seja "Eterna Mortal".

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O que amo em ti?

O que amo em ti?

Amo o teu sorriso!

Amo cada gesto, cada olhar teu.

Amo quando estás em silêncio e consigo ouvir o que te vai na mente.

Amo quando estou triste e dizes que me amas como se isso apagasse os meus problemas. Isso me faz sentir protegida. Como se o fato de me amares me desse poderes para enfrentar o mundo.

Amo quando estou contigo.

Amo cada momento, cada segundo, cada suspiro.

Amo que quando estamos juntos os nossos corpos têm de se tocar. Seja o dedo do pé a tocar no tornozelo, seja o braço encostado no braço.

Se possível estaríamos sempre abraçados de conchinha com as pernas entrelaçadas a tentar apertar cada vez o abraço até nos fundirmos num.

Amo que sejas tu e seja eu, juntos, contra o mundo.

Amo-te tanto que amo até o inamável.

Amo a tua teimosia.

Amo o teu orgulho.

Amo a tua vulnerabilidade.

Amo-te feio e amo-te bonito.

Amo-te pelo que és e pelo que não és.

Amo o homem, o amigo, o companheiro, o amante.

Amo o que tens e o que te falta.

Amo quando está entediado.

Amo quando me tocas.

Amo quando me beijas.

Amo quando me mimas.

Amo que quando estou a falar demais e estou chata, quase sem notar, me derretes em carinhos e paro de falar.

Amo quando estamos a passear e tocas o meu pescoço ou ombros no mais delicioso toque de carinho e ternura. Um “Amo-te” sem som. 

Amo quando descobrimos paisagens novas.

Amo que um dia de chuva nunca seja um dia chato.

Amo que nunca nos falte assunto.

Amo que haja sempre mais um beijo.

Amo quando estás a pensar alto sussurrando baixinho.

Amo ver-te comer sem parar como se fosse a melhor e mais emocionante coisa a fazer nessa vida.

Amo o teu cheiro.

Amo o gosto da tua boca.

Amo tanto em ti que fica difícil não perder a conta.

Amo-te porque tu és tu.

Amo-te porque eu sou eu.

Amo-te porque tu e eu somos nós.

Amo-te porque contigo sou mais eu.

O que amo em ti?

Tudo


Publicada por Unknown à(s) 13:23 0 comentários

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Sair da Cama

Sair da cama.

O primeiro desafio do dia. Sair do quente, do confortável, do agradável, do prazer do aconchego bom que a cama oferece na manhã fria. Pois o relógio não pára.

Há que enfrentar o frio, despir a roupa  quente, a roupa confortável, abandonar o prazer do aconchego que o pijama oferece na manhã fria. Pois o relógio obriga.

Há que comer, pentear, os lábios pintar. Procurar os sapatos que ficam bem com a blusa escolhida para o dia. Ter de se contentar com os sapatos que ficam mais ou menos com a blusa porque os outros não aparecem.

Há que sair fechando a porta consigo.

Ouvir o som ríspido que emite: Não há volta!

A caminho do trabalho a mente a mil o coração a contar as batidas, os pulmões a forçar o ar, os olhos a perguntar ao coração: Porquê?

Olha os pedaços!

Uma pequena pausa para descansar, reflectir, tirar um momento para ganhar forças. Uma pausa para cair em lágrimas e amargura. Um momento para parar. Parar o falso sorriso, a falsa motivação, a falsa esperança, a falsa personagem de contos de fadas.

Não sou princesa! Não sou donzela! Não sou boneca! Sou apenas uma mulher com a alma em pedaços a tentar juntar os pedaços. Pedaços grandes, pedaços pequenos, pedaços perdidos, pedaços achados. Pedaços impossíveis de colar no lugar.

Pedaços de mim.

Quebrados…

Se alguém me sacudir talvez se consiga ouvir o chocalhar de todos os pedaços quebradinhos cá dentro. Uma alma em pedaços. Um futuro escrito num espelho martelado à cabeçada.
Há que sair da cama.

Pois a manhã é cruel. Pois o relógio não pára. Mesmo sem pilha, mesmo sem ponteiros, mesmo sem rodas, mesmo sem horas.  O relógio não pára!

Estranhos fingem não ver alguém.

Por entre a água, os cabelos, o gorro do casaco e os óculos, estou eu. Mesmo atrás das lágrimas mais grossas que a chuva de inverno se encontra uma jovem mulher em pedaços que estranhos fingem não ver. Apenas vêm a sombra de alguém a andar por entre a chuva.

Esse alguém sou eu.

Não há chuva que me possa molhar.Tempestades que me possa parar. Passo por entre as gotas, os trovões, os relâmpagos com apenas o rosto encharcado.

Quem me segura a mão?

O caminho não é longo. Perdi-me.

Quem me guia?

Sim, sou daqui. Mas perdi-me. Tenho sempre de pedir indicações. Porque estou sempre perdida. A andar na direcção errada a onde quero chegar. Sem saber onde estou, para onde vou ou o que faço aqui.

Perdida.

Sem rumo.

Com o futuro escrito num espelho martelado à cabeçada.

Chega a noite!

Há que deitar. Último desafio do dia.

Há que dormir. Há que descansar. Do dia exaustivo cheio de nada. Descansar para ganhar forças das forças esgotadas ao sair da cama. Pois o relógio não pára e num segundo são quatro da manhã.
Publicada por Unknown à(s) 11:57 0 comentários
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