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Eterna Mortal

As palavras escritas são eternas, os seus autores, por outro lado, são meros mortais. Sendo eu mortal e minhas palavras eternas, que eu seja "Eterna Mortal".

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Eis o Problema do Amor

Quando amamos alguém no início basta que essa pessoa nos mande um sms, nos olhe nos olhos, basta-nos o seu sorriso, basta-nos o cheiro do seu cabelo, basta-nos um “Bom dia!”.

No início magia é tudo.
A magia nos basta!

No início amor é tudo.
Amor nos basta!

Nada errado com gostar de magia, correto?

Depois a fase da lua-de-mel, a fase da descoberta. A fase em que é fofo que ele espirre e é adorável que ela acorde despenteada. Essa fase por vezes dura bastante tempo.

Quando a lua-de-mel acaba as coisas ainda são boas. Tornam-se os melhores amigos. Habituam-se a ter com quem contar. Habituam-se à rotina e não querem que nada mude.

No entanto, passado algum tempo… Ah! Passado algum tempo… Vem a fase da negociação.

A fase em que “Fofinho, podias lavar o teu prato para a próxima vez?” “Querida, ficavas tão sexy se usasses mais vezes aquelas calças de ganga.”

A fase em que “Eu não quero ver esse filme. És sempre tu que escolhes o filme.”

Ah! A fase que “Eu não gosto que faças isso. Eu quero que isso mude!”

Ah! A fase do “Eu quero!”

Eis o problema com o amor.

Quando se vê o mesmo truque de magia vezes e vezes sem conta deixa de nos fascinar. Deixa de ter o mesmo impacto. Deixa de nos bastar. Deixa de ser o suficiente.

Eis o problema com o amor.

Ele agora acorda e já não tem tempo para tomar o pequeno-almoço e se esquece de dar um beijo à saída.

Ela se esquece que ele gosta das calças de gaga apertadas e passa a usar as calças de ginástica para sair.

Mas afinal, qual o problema de ver o mesmo truque de magia vezes e vezes sem conta se o mágico é o mesmo? O mesmo que conseguiu causar tão forte impacto com um simples sorriso, um simples “Bom dia!”

Que raio de problema de sério é esse que por ele não dar um beijo à saída ou ela usar calças de ginástica o amor se perde?

Não! O amor não se gasta.
A magia, sim. A magia muda! O fascínio muda! A rotina muda! Porque na vida tudo muda!

Eis o problema do amor.

Queremos demais!
Sonhamos demais!
Exigimos demais!
Lutamos demais!

Não amamos com amor. Amamos com condições. Amamos com exigências. Amamos com receios. Amamos com egoísmo. Amamos com medo. Medo da mudança! Medo de perder! Medo de ser e de não ser! Medo que magoe! Medo que o encanto acabe! Medo que o amor acabe! Medo de ser traídos! Medo de doer! Medo de não ser igual ao que era! Medo da fantasia que desenhamos em papel de conto de fadas não se realize!

Medo!

Amamos com medo!
Amamos com egoísmo!
Amamos com exigências!
Amamos com insegurança!
Amamos com condições!
Amamos com paixão!
Amamos com ciúme!
Amamos sem amor…

Somos eternas crianças em corpo de adultos perdidos em busca de felicidade em todas as coisas erradas.

Nunca deixamos de ser as crianças pequeninas que ao receber um gatinho em casa o sufocam em atenção e ficamos muito ofendidos se o gatinho pula para o colo do nosso irmão. Ficamos muito felizes se o gatinho ronrona nos nossos pés e muito chateados se o gatinho nos arranha por o estarmos a apertar demais nos nossos braços.

Quando vamos crescer?

Quando vamos aprender a amar o gatinho mesmo que ele faça xixi na nossa cama e durma em cima do portátil?

Quando vamos a aprender que o gatinho tem a sua vontade própria e que é impossível ser dono de um gato? Porque o gato é dono de si mesmo. Somos seus companheiros. Não seus donos.
Quando vamos aprender que o gato não é um gato?

Penso que seja por isso que tenhamos irmãos. Uma forma da natureza nos ensinar a amar. Amar de forma incondicional.

Somos capazes de fazer listas extensas, listas grossas, listas detalhadas, listas que dariam bíblias de todos os defeitos dos nossos irmãos. Sabemos o quão imperfeitos são. Sabemos o quanto limitados são. Sabemos que apesar de tudo isso os amamos e os vamos amar para sempre. Mesmo quando eles nos digam “Eu odeio-te!” não deixamos de os amar. Não deixamos de ser seus irmãos.

Quando vamos aprender que o gato não é um gato?

Somos capazes de amar os nossos pais apesar de todas as vezes que nos desiludiram, nos magoaram, nos ofenderam, nos envergonharam, nos obrigaram a comer aquela porcaria de lixo a que eles chamam de couves de bruxelas. Ierk!

Quando vamos aprender que o gato não é um gato?

É uma pessoa. É família. É aquela pessoa por quem te apaixonaste e não aprendeste a amar. Não amor verdadeiro. Não amor incondicional. Amaste com paixão. No entanto, amaste sem amor.

Amor não se gasta!

Amor é simples! Tão simples como respirar. Apenas queremos o bem da pessoa amada.

Paixão é tão difícil! Tão difícil como o tempo congelar! Apenas queremos que essa pessoa nos dê tudo para o nosso bem.

Eis o problema com o amor!
O verdadeiro problema com o amor!

É que não sabemos amar!

Nós amamos.
Contundo,
Amamos com medo!
Amamos com egoísmo!
Amamos com exigências!
Amamos com insegurança!
Amamos com condições!
Amamos com paixão!
Amamos com ciúme!

Nós amamos!
Contudo,
Amamos sem amor…

Agora que cresci vejo como pequeninos. Como somos crianças. Como somos pequeninas crianças perdidas e assustadas em corpos de adultos a procurar felicidade em todas as coisas erradas.

Quando vamos crescer?
Como vamos crescer?
Será que vamos crescer?

Eis o problema com o amor!
Somos crianças!

Crianças apaixonadas com a ideia de amor. Com ideia errada que temos de amor das histórias que poetas pequeninos e infelizes nos escreveram.

É preciso que uma dessas crianças diga: Eis o problema do amor! Não sabemos amar!
Publicada por Unknown à(s) 10:24 0 comentários

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

O que amo em mim?

O que amo em mim?

Amo a minha vulnerabilidade.

Amo a minha lealdade.

Amo a minha espontaneidade.

Amo a forma como sorrio quando quero fazer alguém sorrir porque funciona sempre.

Amo a minha bondade.

Amo o meu cabelo.

Amo quando o Sol mostra os reflexos dourados nos meus cabelos.

Amo a minha felicidade.

Amo a minha tristeza.

Amo a minha dor.

Amo a minha força.

Amo a minha alma.

Amo as minhas mãos.

Amo os actos de afecto que as minhas mãos fazem.

Amo o fato de saber amar

Amo quando danço no silêncio porque o silêncio me parece uma melodia de paz.

Amo que eu dobre o cantinho do iogurte antes de o abrir porque só eu noto que faço sempre isso.

Amo o meu jeito desajeitado de ser porque me faz única, igual a mim mesma, leal a mim mesma.

Amo o meu carácter.

Amo o som do meu próprio riso

Amo que não tenha vergonha de assumir que me amo

Amo-me porque amo

Amo-me porque sei amar.

Amo que amor para mim seja algo que se dá, não que se exige.

Amo que consiga conquistar o coração de todos os animais que amo.

Amo que nunca esqueça como é bom amar

Amo o meu talento

Amo a guerreira em mim

Amo-me porque eu sou eu

Amo-me porque mais ninguém é como eu

O que amo em mim?

Tudo o que me tornei e tudo o que me tornarei.

Não sei o que isso será


Mas sei que será algo digno de ser amado.


Publicada por Unknown à(s) 14:53 0 comentários

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

A Caixa

E se te dessem uma caixa?

Dão-te uma caixa com a missão de a protegeres. Com ela dão-te duas escolhas. Podes abrir a caixa ou podes a deixar fechada. Se não a abrires podes sempre mudar de ideias e a abrir. Se a abrires, nunca poderás realmente a fechar.

A caixa não está trancada.

É tua! É a tua caixa. A tua caixa misteriosa de madeira destrancada que tens de proteger.
Podes  abrir e descobrir o que tem lá dentro. Podes não abrir e imaginar o que está lá dentro. Mas tens de a proteger.

O que fazes?

O que está dentro da tua caixa?

Porque te deram essa caixa?

Qual o objectivo dessa caixa?

Porquê uma caixa?

O que é essa caixa?

Quem te deu essa caixa?

Como te deram essa caixa?

Que raio de caixa é essa?

Porque tens de a proteger?

Porque sentes que terás sempre de a proteger?

O que há para proteger?

O que é que tudo isso significa?

Que significa a caixa?

Que significa proteger a caixa?

Que significa o que está no interior da caixa?

O que está no interior da caixa?

Será apenas uma caixa?

Nunca é apenas uma caixa…

O que fazes?

Abres a caixa?

Protege sempre a caixa.

Protege a caixa para sempre.

É a tua caixa.
Publicada por Unknown à(s) 11:52 0 comentários

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O que amo em ti?

O que amo em ti?

Amo o teu sorriso!

Amo cada gesto, cada olhar teu.

Amo quando estás em silêncio e consigo ouvir o que te vai na mente.

Amo quando estou triste e dizes que me amas como se isso apagasse os meus problemas. Isso me faz sentir protegida. Como se o fato de me amares me desse poderes para enfrentar o mundo.

Amo quando estou contigo.

Amo cada momento, cada segundo, cada suspiro.

Amo que quando estamos juntos os nossos corpos têm de se tocar. Seja o dedo do pé a tocar no tornozelo, seja o braço encostado no braço.

Se possível estaríamos sempre abraçados de conchinha com as pernas entrelaçadas a tentar apertar cada vez o abraço até nos fundirmos num.

Amo que sejas tu e seja eu, juntos, contra o mundo.

Amo-te tanto que amo até o inamável.

Amo a tua teimosia.

Amo o teu orgulho.

Amo a tua vulnerabilidade.

Amo-te feio e amo-te bonito.

Amo-te pelo que és e pelo que não és.

Amo o homem, o amigo, o companheiro, o amante.

Amo o que tens e o que te falta.

Amo quando está entediado.

Amo quando me tocas.

Amo quando me beijas.

Amo quando me mimas.

Amo que quando estou a falar demais e estou chata, quase sem notar, me derretes em carinhos e paro de falar.

Amo quando estamos a passear e tocas o meu pescoço ou ombros no mais delicioso toque de carinho e ternura. Um “Amo-te” sem som. 

Amo quando descobrimos paisagens novas.

Amo que um dia de chuva nunca seja um dia chato.

Amo que nunca nos falte assunto.

Amo que haja sempre mais um beijo.

Amo quando estás a pensar alto sussurrando baixinho.

Amo ver-te comer sem parar como se fosse a melhor e mais emocionante coisa a fazer nessa vida.

Amo o teu cheiro.

Amo o gosto da tua boca.

Amo tanto em ti que fica difícil não perder a conta.

Amo-te porque tu és tu.

Amo-te porque eu sou eu.

Amo-te porque tu e eu somos nós.

Amo-te porque contigo sou mais eu.

O que amo em ti?

Tudo


Publicada por Unknown à(s) 13:23 0 comentários

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Sair da Cama

Sair da cama.

O primeiro desafio do dia. Sair do quente, do confortável, do agradável, do prazer do aconchego bom que a cama oferece na manhã fria. Pois o relógio não pára.

Há que enfrentar o frio, despir a roupa  quente, a roupa confortável, abandonar o prazer do aconchego que o pijama oferece na manhã fria. Pois o relógio obriga.

Há que comer, pentear, os lábios pintar. Procurar os sapatos que ficam bem com a blusa escolhida para o dia. Ter de se contentar com os sapatos que ficam mais ou menos com a blusa porque os outros não aparecem.

Há que sair fechando a porta consigo.

Ouvir o som ríspido que emite: Não há volta!

A caminho do trabalho a mente a mil o coração a contar as batidas, os pulmões a forçar o ar, os olhos a perguntar ao coração: Porquê?

Olha os pedaços!

Uma pequena pausa para descansar, reflectir, tirar um momento para ganhar forças. Uma pausa para cair em lágrimas e amargura. Um momento para parar. Parar o falso sorriso, a falsa motivação, a falsa esperança, a falsa personagem de contos de fadas.

Não sou princesa! Não sou donzela! Não sou boneca! Sou apenas uma mulher com a alma em pedaços a tentar juntar os pedaços. Pedaços grandes, pedaços pequenos, pedaços perdidos, pedaços achados. Pedaços impossíveis de colar no lugar.

Pedaços de mim.

Quebrados…

Se alguém me sacudir talvez se consiga ouvir o chocalhar de todos os pedaços quebradinhos cá dentro. Uma alma em pedaços. Um futuro escrito num espelho martelado à cabeçada.
Há que sair da cama.

Pois a manhã é cruel. Pois o relógio não pára. Mesmo sem pilha, mesmo sem ponteiros, mesmo sem rodas, mesmo sem horas.  O relógio não pára!

Estranhos fingem não ver alguém.

Por entre a água, os cabelos, o gorro do casaco e os óculos, estou eu. Mesmo atrás das lágrimas mais grossas que a chuva de inverno se encontra uma jovem mulher em pedaços que estranhos fingem não ver. Apenas vêm a sombra de alguém a andar por entre a chuva.

Esse alguém sou eu.

Não há chuva que me possa molhar.Tempestades que me possa parar. Passo por entre as gotas, os trovões, os relâmpagos com apenas o rosto encharcado.

Quem me segura a mão?

O caminho não é longo. Perdi-me.

Quem me guia?

Sim, sou daqui. Mas perdi-me. Tenho sempre de pedir indicações. Porque estou sempre perdida. A andar na direcção errada a onde quero chegar. Sem saber onde estou, para onde vou ou o que faço aqui.

Perdida.

Sem rumo.

Com o futuro escrito num espelho martelado à cabeçada.

Chega a noite!

Há que deitar. Último desafio do dia.

Há que dormir. Há que descansar. Do dia exaustivo cheio de nada. Descansar para ganhar forças das forças esgotadas ao sair da cama. Pois o relógio não pára e num segundo são quatro da manhã.
Publicada por Unknown à(s) 11:57 0 comentários

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Amor não basta!

Amor não é o mesmo que dor.

Dor é uma consequência de amor
Amor não é uma consequência de dor

Dor no tempo desvanece
Amor na lembrança permanece

Amor é só amor sem o resto

Amor não basta!
Amor não chega
Amor não se gasta

Por vezes, é amor sem soluço
Um não existir que dá de si
No amor há um melhor reflexo de ti

Uma miragem nos olha de lá
O reflexo por vezes ausente
Do espelho em pedaços virado para cá

Amor não basta!
Amor não chega
Amor não se gasta

Casa de casamento
Não é de cimento
É de pilares, tijolos e areia cimentada
Na base e teto estruturada
Parede e largura em ti baseada

Pobre da amada
Escondida num falso amor
Pois a dura verdade é demasiada dor

Rica a mal-amada
Liberta na verdade
Que venha antes a saudade

Saudade no tempo desvanece
Amor na lembrança permanece

Amor é só amor sem o resto!
Publicada por Unknown à(s) 07:05 0 comentários
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