Não me é permitido sentir raiva?
Não me é permitido sentir raiva sem ser julgada de demente?
Pois sinto raiva. Há ódio em minha alma.
Quem é capaz de amar é capaz de odiar.
Há ódio, raiva e revolta em minha alma
Não me é permitido gritar?
Não me é permitido respirar?
A raiva é ódio que me come a alma, quase me come a carne e não posso gritar de dor?
Raiva é dor.
A dor do ódio, da revolta, da frustração.
Tantas razões podem existir para a raiva, tantas razões podem existir para lágrimas.
Não me é permitido sentir raiva?
É suposto ignorar um dos sentimentos mais corrosivos que existem?
É suposto deixar que me destroi-a o interior?
Não!
Não me podem impedir de sentir!
Não me podem impedir de gritar!
Não me podem impedir de respirar
De me libertar da dor
Da dor da raiva
Pois raiva é dor
A dor de sentir
A dor de ódiar
Uma dor que corrói
Por isso sinto
Por isso grito
Por isso respiro
Respiro muito
Mesmo que cortados em soluços, encho os meus pulmões de ar
Mesmo que cortados em lágrimas meus olhos fulminam
Por fim o fogo apaga-se, o mar acalma-se, as nuvens desaparecem
Por fim posso pensar
Por fim posso saber o porquê de tanta raiva
Não há lume que se pegue sem causa
E não se pega lume a copos de água
Por muito fogo que haja, a água não se incendeia.
Logo em mim estava lenha, carvão e gasolina.
A culpa não é do fósforo
Afinal, se eu fosse água o fósforo nada me faria
Em mim está a culpa da minha raiva
Aos fósforos a atribuio.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
sábado, 20 de agosto de 2011
O Dia Que Nos Espera
Todos os anos comemoro o meu aniversário.
Sempre o fiz.
Dantes fazia enormes festas em que iam todos os meus amigos. Com os anos as festas foram ficando mais pequenas, porque tinha menos amigos para convidar. Até que agora não vejo porque razão continuo a por mais velas no bolo com menos pessoas para partilhá-lo e partilhar mais um ano.
A idade é matreira.
Mal damos por isso mas chega um dia em que já não estamos tão entusiasmados com o futuro, que já não procuramos a felicidade ou um grande amor, que já não temos sonhos que esperamos que se realizem. Chega a uma altura em que percebemos que já vivemos tudo, que nosso tempo já passou.
Nunca pensei que fosse assim que o meu avó se sentisse. Quase vazio. Mas ao mesmo tempo tenho tanto que agradecer. Vejo os meus netos. Jovens admiráveis, inteligentes. Vejo os meus filhos, cada um mais diferente do outro com as suas vidas e as suas escolhas de vida que noutros tempos não aceitaria.
Tenho de agradecer por os poder ver.
Ah! E já vivi tanto. Já vivi o grande amor que todos procuram viver e nem todos conseguem. Já realizei os meus sonhos. Já criei os meus filhos. Trabalhei toda a vida. Tive uma boa vida, no fim de contas.
Mas ninguém quer realmente que a sua vida acabe. Ninguém quer completar todas as metas da sua vida e ficar sem nada. É que agora que fiz tudo não tenho nada. Não há nada que me atice lume.
O que é suposto eu fazer? Esperar pela morte?!
Chega uma altura da nossa vida que a maioria das pessoas que conhecemos morreram. É uma altura triste…
Sabes aquela altura em que os teus amigos começam a ter namoradas? Ou a altura em que os teus amigos começam a casar, ter filhos ou vão para a universidade? Seja como for, as coisas mudam.
Bem, asseguro-te que isso é pior.
Todos os meus amigos já morreram. A minha mulher já morreu. Até o mais filho mais velho morreu, a morte o levou mais cedo. São partes de mim que são arrancadas. Arrancaram-me os braços, o coração, as pernas, a alegria e levaram tudo com eles para a terra.
Agora tenho de andar sem pernas e manter-me vivo sem coração. Tenho de estar nesse mundo sozinho. Afinal, os meus netos não substituem aqueles que perdi.
Como se não bastasse, o meu médico tirou-me o açúcar e o sal. Ora, é suposto eu aceitar que me tirem o sal depois da vida já me ter tirando tanto?
Claro que fico rabugento, claro que me irrito e grito com quem for que me dê mais uma sopa insonsa ou que me tirem o bife da frente.
Nem ver televisão é como antes. Agora só se vê investigações de homicídios e medicina ou então desenhos animados que vendem mochilas de Hannat Montana para salvar o planeta ou alguma coisa parva do género. Claro que se pode sempre optar por ver publicidade, ajuda um velho como eu a adormecer e aos jovens a ficar com os bolsos vazios.
Mas apesar da diferença dos tempos uma coisa é sempre a mesma. Quando se chega a velho, como eu, não sabemos se havemos de ficar gratos por ter vivido tanto ou se ficamos revoltados por já não termos razões para estar vivos.
Não que queira que me tirem os dias que me resta, mas a essa altura da minha vida, em que o passado está tão longe e o futuro não me sorri, quando acordo pergunto-me: Porque estou aqui?
Todas as manhãs volto a acordar e todas as noites continuo sem resposta. Mas não faz mal que não consiga encontrar uma resposta, desde que consiga voltar a perguntar amanhã.
Sempre o fiz.
Dantes fazia enormes festas em que iam todos os meus amigos. Com os anos as festas foram ficando mais pequenas, porque tinha menos amigos para convidar. Até que agora não vejo porque razão continuo a por mais velas no bolo com menos pessoas para partilhá-lo e partilhar mais um ano.
A idade é matreira.
Mal damos por isso mas chega um dia em que já não estamos tão entusiasmados com o futuro, que já não procuramos a felicidade ou um grande amor, que já não temos sonhos que esperamos que se realizem. Chega a uma altura em que percebemos que já vivemos tudo, que nosso tempo já passou.
Nunca pensei que fosse assim que o meu avó se sentisse. Quase vazio. Mas ao mesmo tempo tenho tanto que agradecer. Vejo os meus netos. Jovens admiráveis, inteligentes. Vejo os meus filhos, cada um mais diferente do outro com as suas vidas e as suas escolhas de vida que noutros tempos não aceitaria.
Tenho de agradecer por os poder ver.
Ah! E já vivi tanto. Já vivi o grande amor que todos procuram viver e nem todos conseguem. Já realizei os meus sonhos. Já criei os meus filhos. Trabalhei toda a vida. Tive uma boa vida, no fim de contas.
Mas ninguém quer realmente que a sua vida acabe. Ninguém quer completar todas as metas da sua vida e ficar sem nada. É que agora que fiz tudo não tenho nada. Não há nada que me atice lume.
O que é suposto eu fazer? Esperar pela morte?!
Chega uma altura da nossa vida que a maioria das pessoas que conhecemos morreram. É uma altura triste…
Sabes aquela altura em que os teus amigos começam a ter namoradas? Ou a altura em que os teus amigos começam a casar, ter filhos ou vão para a universidade? Seja como for, as coisas mudam.
Bem, asseguro-te que isso é pior.
Todos os meus amigos já morreram. A minha mulher já morreu. Até o mais filho mais velho morreu, a morte o levou mais cedo. São partes de mim que são arrancadas. Arrancaram-me os braços, o coração, as pernas, a alegria e levaram tudo com eles para a terra.
Agora tenho de andar sem pernas e manter-me vivo sem coração. Tenho de estar nesse mundo sozinho. Afinal, os meus netos não substituem aqueles que perdi.
Como se não bastasse, o meu médico tirou-me o açúcar e o sal. Ora, é suposto eu aceitar que me tirem o sal depois da vida já me ter tirando tanto?
Claro que fico rabugento, claro que me irrito e grito com quem for que me dê mais uma sopa insonsa ou que me tirem o bife da frente.
Nem ver televisão é como antes. Agora só se vê investigações de homicídios e medicina ou então desenhos animados que vendem mochilas de Hannat Montana para salvar o planeta ou alguma coisa parva do género. Claro que se pode sempre optar por ver publicidade, ajuda um velho como eu a adormecer e aos jovens a ficar com os bolsos vazios.
Mas apesar da diferença dos tempos uma coisa é sempre a mesma. Quando se chega a velho, como eu, não sabemos se havemos de ficar gratos por ter vivido tanto ou se ficamos revoltados por já não termos razões para estar vivos.
Não que queira que me tirem os dias que me resta, mas a essa altura da minha vida, em que o passado está tão longe e o futuro não me sorri, quando acordo pergunto-me: Porque estou aqui?
Todas as manhãs volto a acordar e todas as noites continuo sem resposta. Mas não faz mal que não consiga encontrar uma resposta, desde que consiga voltar a perguntar amanhã.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Lilith
Adão estava sozinho na Terra quando se formou Lilith. Sua primeira esposa. Desdo princípio do casamento houve brigas.
Ela interrogava-o "Por que devo deitar-me em baixo de ti? Por que devo abrir-me sob teu corpo? Porque devo ser dominada por ti? Contudo, eu também fui feita de pó e por isso sou tua igual."
Ele ripostou: "Eu não vou me deitar abaixo de ti, apenas por cima. Pois estás apta apenas para estar na posição inferior, enquanto eu sou um ser superior."
Lilith respondeu: "Nós somos iguais um ao outro, considerando que ambos fomos criados a partir da terra".
Eles não deram ouvidos um ao outro por isso Lilith abadonou-o. Três anjos a seguiram e ameaçaram afogá-la se ela não voltasse para junto do seu marido. Ela ignorou a ameaça e por isso foi condenada a perder cem filhos por dia.
Depois disso, foi criada Eva a partir de uma costela de Adão. Esta, sim, foi submissa ao seu marido. Deitando-se em baixo dele, abrindo o seu corpo sob o dele e sendo dominada pela sua vontade. Afinal ela não lhe era igual, era-lhe semelhante e inferior, nascida da sua costela.
Lilith juntou-se a um anjo caído: Samuel. Juntos levaram Eva e Adão ao adultério, pois ela não aceitava a segunda mulher de Adão. Assim o homem e a mulher foram expulsos do paraíso. E Lilith passou a perseguir homens infiéis, crianças e recém-casados por vingança.
Na mitologia Suméria e Babilónia ela é associada à Lua, porque tem fases boas e más. Também é associada a Deusas da fertilidade e Deusas cruéis. E na mesopotâmica ficou conhecida como um demónio feminino da noite espalhando o mal e usando a água como portal para o seu mundo.
Com os anos passou-se a acreditar que os filhos de Lilith, os cem filhos que ela perdia por dia, se alimentavam de energias despendidas no sexo e sangue humano, também podiam manipular os sonhos dos humanos. Nascendo então o vampirismo, sendo também culpada da homossexualidade.
Na mitologia Grega Lilith era quem guardava a porta do inferno montada num cão de três cabeças. Denominava-se “A mulher de escarlate” representava a vida noturna e a rebeldia da mulher sobre o homem.
Isso constitui uma prova de que os mitos tornando-a vilã eram devidos à opressão da sociedade fase à liberdade e igualdade feminina fase ao homem ao longo de milhares de anos.
Lilith também ficou conhecida como capaz de castram os homens com a sua vagina, como vingança por ter sido obrigada a ficar por baixo de Adão.
A era contemporânea transformando Lilith numa figura sensual e sedutora através da arte e literatura afastando-a da sua imagem de demónio responsável por pragas, caçadora de crianças, deusa do prazer e de serpente que levou Adão e Eva a comer o fruto proibido.
Por fim, Lilith teve como maior castigo o esquecimento, apesar de toda a difamação.
Bibliografia:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lilith, dia 9-08-2011
Ela interrogava-o "Por que devo deitar-me em baixo de ti? Por que devo abrir-me sob teu corpo? Porque devo ser dominada por ti? Contudo, eu também fui feita de pó e por isso sou tua igual."
Ele ripostou: "Eu não vou me deitar abaixo de ti, apenas por cima. Pois estás apta apenas para estar na posição inferior, enquanto eu sou um ser superior."
Lilith respondeu: "Nós somos iguais um ao outro, considerando que ambos fomos criados a partir da terra".
Eles não deram ouvidos um ao outro por isso Lilith abadonou-o. Três anjos a seguiram e ameaçaram afogá-la se ela não voltasse para junto do seu marido. Ela ignorou a ameaça e por isso foi condenada a perder cem filhos por dia.
Depois disso, foi criada Eva a partir de uma costela de Adão. Esta, sim, foi submissa ao seu marido. Deitando-se em baixo dele, abrindo o seu corpo sob o dele e sendo dominada pela sua vontade. Afinal ela não lhe era igual, era-lhe semelhante e inferior, nascida da sua costela.
Lilith juntou-se a um anjo caído: Samuel. Juntos levaram Eva e Adão ao adultério, pois ela não aceitava a segunda mulher de Adão. Assim o homem e a mulher foram expulsos do paraíso. E Lilith passou a perseguir homens infiéis, crianças e recém-casados por vingança.
Na mitologia Suméria e Babilónia ela é associada à Lua, porque tem fases boas e más. Também é associada a Deusas da fertilidade e Deusas cruéis. E na mesopotâmica ficou conhecida como um demónio feminino da noite espalhando o mal e usando a água como portal para o seu mundo.
Com os anos passou-se a acreditar que os filhos de Lilith, os cem filhos que ela perdia por dia, se alimentavam de energias despendidas no sexo e sangue humano, também podiam manipular os sonhos dos humanos. Nascendo então o vampirismo, sendo também culpada da homossexualidade.
Na mitologia Grega Lilith era quem guardava a porta do inferno montada num cão de três cabeças. Denominava-se “A mulher de escarlate” representava a vida noturna e a rebeldia da mulher sobre o homem.
Isso constitui uma prova de que os mitos tornando-a vilã eram devidos à opressão da sociedade fase à liberdade e igualdade feminina fase ao homem ao longo de milhares de anos.
Lilith também ficou conhecida como capaz de castram os homens com a sua vagina, como vingança por ter sido obrigada a ficar por baixo de Adão.
A era contemporânea transformando Lilith numa figura sensual e sedutora através da arte e literatura afastando-a da sua imagem de demónio responsável por pragas, caçadora de crianças, deusa do prazer e de serpente que levou Adão e Eva a comer o fruto proibido.
Por fim, Lilith teve como maior castigo o esquecimento, apesar de toda a difamação.
Bibliografia:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lilith, dia 9-08-2011
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Agarra-te à Felicidade
O passado está no passado por alguma razão.
Não volta.
Não se altera e com o tempo se desvanece.
Por vezes dói quando algo passa a pertencer ao passado. Dói perder algo. Mas a verdade é que não volta.
Aquele amigo que era capaz de te fazer rir a qualquer momento deixou de ser um amigo.
Aquele gelado que o teu pai costumava comprar já não tem o mesmo sabor da tua infância.
De certeza que já perdeste alguma coisa, que alguma coisa mudou.
De certeza que há algo que te trás tristeza lembrar que não volta, que perdeste para sempre.
Mas nem sempre as lembranças nos ferem com a saudade, às vezes é bom lembrar daquele abraço, daquele olhar, das palavras que te deram força. O passado também é uma fonte de força e inspiração.
No entanto, isso não faz com que doa menos lembrar o que perdeste e não volta.
Apesar disso, crescer é bom!
Ou estamos a evoluir ou estamos a morrer. Portanto, evolui, cresce.
As pessoas que vivem no passado geralmente não vêm como têm a felicidade mesmo á sua frente, algumas não a vêm mesmo depois de a perderem porque estão tão concentrados a pensar no tempo em que eram felizes que todas as outras oportunidades de felicidade são invisíveis.
É horrível não ver todas as coisas boas que se tem na vida, não lhes dar valor e ver apenas as coisas que faltam.
Sim, falta um quadro na parede, falta um anel no dedo, falta o que dantes havia. Falta algo. Sim, já percebi, todos já perceberam que falta algo. Mas porque raio tem de faltar algo? Porque estás parado a olhar para a parede vazia? Tens a tua refeição preferida na mesa, o cheiro invade toda a casa, estão contigo as pessoas que fazem parte da tua vida, estão a viver sem ti porque estás a olhar para o quadro que falta.
O quadro está em outra parede, está a decorar outra casa, está a ser admirado por outra pessoa, não está na parede. Enfia isso na tua cabeça e desvia os olhos dessa parede mal pintada de branco com a tinta a descascar e olha para a porra da mesa, para o sofá, para quem está sentado no sofá mesmo ao teu lado.
O mais provável é que só notes que o lugar ao teu lado esteve ocupado quando estiver vazio. É provável que só notes que os teus amigos estiveram a comer na tua mesa notando a tua ausência depois do jantar.
Agora pergunto: queres mesmo continuar a olhar para essa estúpida parede e pensar no quadro que dantes havia? Enquanto sofres com o que perdeste não vês o que tens! Enquanto estás como idiota a furar a parede com os olhos na esperança que o quadro esteja debaixo da tinta branca, tens um balde de tinta no teu colo e um pincel na mesa de café e tu não pintas porra nenhuma na parede vazia.
É frustrante e irritante que não pintes nada, que estejas para ai a gastar oxigénio petrificado, imerso no branco super gasto da parede vazia. É que não te leva a lado nenhum…
O que quero dizer realmente é que sim, eu compreendo. Tinhas tudo. Não podias ser mais feliz. Mas porque não vês que tens algo na tua vida, tens muitas coisas, coisas diferentes, mas coisas que te podem dar felicidade e não as vês.
Desvia os teus olhos do passado e olha á tua volta. Pensa. Há algo que se perdesses te faria sofrer? Tenho a certeza que há. Por isso, porque raio não te entregas a 100% nisso? Por medo de perder? É que se é isso é cobardia e vais-te arrepender. Entrega-te.
O passado está no passado por alguma razão.
Não volta.
Deixa-o onde ele pertence e vive, segue em frente.
Quando vires o quadro na montra de uma loja e não parares para lamentar não teres dinheiro suficiente para o recuperares, ai sabes que estás a viver a tua vida, que estás feliz e as tuas paredes estão cheias de cor.
Agarraste no pincel.
Não volta.
Não se altera e com o tempo se desvanece.
Por vezes dói quando algo passa a pertencer ao passado. Dói perder algo. Mas a verdade é que não volta.
Aquele amigo que era capaz de te fazer rir a qualquer momento deixou de ser um amigo.
Aquele gelado que o teu pai costumava comprar já não tem o mesmo sabor da tua infância.
De certeza que já perdeste alguma coisa, que alguma coisa mudou.
De certeza que há algo que te trás tristeza lembrar que não volta, que perdeste para sempre.
Mas nem sempre as lembranças nos ferem com a saudade, às vezes é bom lembrar daquele abraço, daquele olhar, das palavras que te deram força. O passado também é uma fonte de força e inspiração.
No entanto, isso não faz com que doa menos lembrar o que perdeste e não volta.
Apesar disso, crescer é bom!
Ou estamos a evoluir ou estamos a morrer. Portanto, evolui, cresce.
As pessoas que vivem no passado geralmente não vêm como têm a felicidade mesmo á sua frente, algumas não a vêm mesmo depois de a perderem porque estão tão concentrados a pensar no tempo em que eram felizes que todas as outras oportunidades de felicidade são invisíveis.
É horrível não ver todas as coisas boas que se tem na vida, não lhes dar valor e ver apenas as coisas que faltam.
Sim, falta um quadro na parede, falta um anel no dedo, falta o que dantes havia. Falta algo. Sim, já percebi, todos já perceberam que falta algo. Mas porque raio tem de faltar algo? Porque estás parado a olhar para a parede vazia? Tens a tua refeição preferida na mesa, o cheiro invade toda a casa, estão contigo as pessoas que fazem parte da tua vida, estão a viver sem ti porque estás a olhar para o quadro que falta.
O quadro está em outra parede, está a decorar outra casa, está a ser admirado por outra pessoa, não está na parede. Enfia isso na tua cabeça e desvia os olhos dessa parede mal pintada de branco com a tinta a descascar e olha para a porra da mesa, para o sofá, para quem está sentado no sofá mesmo ao teu lado.
O mais provável é que só notes que o lugar ao teu lado esteve ocupado quando estiver vazio. É provável que só notes que os teus amigos estiveram a comer na tua mesa notando a tua ausência depois do jantar.
Agora pergunto: queres mesmo continuar a olhar para essa estúpida parede e pensar no quadro que dantes havia? Enquanto sofres com o que perdeste não vês o que tens! Enquanto estás como idiota a furar a parede com os olhos na esperança que o quadro esteja debaixo da tinta branca, tens um balde de tinta no teu colo e um pincel na mesa de café e tu não pintas porra nenhuma na parede vazia.
É frustrante e irritante que não pintes nada, que estejas para ai a gastar oxigénio petrificado, imerso no branco super gasto da parede vazia. É que não te leva a lado nenhum…
O que quero dizer realmente é que sim, eu compreendo. Tinhas tudo. Não podias ser mais feliz. Mas porque não vês que tens algo na tua vida, tens muitas coisas, coisas diferentes, mas coisas que te podem dar felicidade e não as vês.
Desvia os teus olhos do passado e olha á tua volta. Pensa. Há algo que se perdesses te faria sofrer? Tenho a certeza que há. Por isso, porque raio não te entregas a 100% nisso? Por medo de perder? É que se é isso é cobardia e vais-te arrepender. Entrega-te.
O passado está no passado por alguma razão.
Não volta.
Deixa-o onde ele pertence e vive, segue em frente.
Quando vires o quadro na montra de uma loja e não parares para lamentar não teres dinheiro suficiente para o recuperares, ai sabes que estás a viver a tua vida, que estás feliz e as tuas paredes estão cheias de cor.
Agarraste no pincel.
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