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Eterna Mortal

As palavras escritas são eternas, os seus autores, por outro lado, são meros mortais. Sendo eu mortal e minhas palavras eternas, que eu seja "Eterna Mortal".

domingo, 19 de junho de 2011

Em Busca de Amor

Sim, digo que sim a tudo, a tudo o que ele quiser. Ele mande que eu faço, faço com gosto, faço com muito gosto.

Não sou a sua esposa. Nem a namorada. Sou a amante. Não que ele seja casado, mas eu sou o tipo de mulher que gosta de agradar e que sabe como agradar um homem. Entrego-me a um homem com todas as energias do meu ser, entrego-me às suas ordens, desejos, fantasias e até antecipo os seus pedidos. Sou a que os faz descobrir prazeres nunca antes sentidos.

O meu nome? Um homem que me tenha tido nunca esquecerá o meu nome, nenhum alguma vez esqueceu. Impossível esquecer o nome que chamaram tantas e tantas vezes, que imploraram por mais sem necessidade, apenas para agrado dos meus ouvidos.

Sou aquela que está ao balcão com o vestido vermelho. Aquela que os rapazes colam os olhos. Quase que sinto as suas mãos a percorrer o meu corpo em pensamento.

Sou aquela a quem os estranhos pedem ajuda para encontrar as chaves do carro e acaba por as encontrar na minha cama.

Bem, mas há uma história que quero contar. Chega mais perto, pois vou falar bem baixinho e devagar para que ouças tudo o que tenho para dizer.

Lembro-me claramente do momento em que passei de namorada, para amante. Antes eu não vias as coisas dessa forma. Contundo, certas coisas nos marcam para vida.

Eu estava a viver o amor da minha vida. Ele fazia-me sorrir com tanta facilidade, sentia-me tão bem com ele, pensava nele todos os dias, várias vezes ao dia, era tão necessário para mim pensar nele como comer. Era aquela coisa boa na minha vida que eu queria preservar.

Ainda assim, não foi possível preservar o que havia de bom. Não por nossa culpa, por culpa de terceiros. Culpa da maldade, da nojeira que mudou a minha vida irreversivelmente.

Nós fomos para o campo, um sítio lindo, calmo, aparentemente, seguro. Fizemos um piquenique. Ainda me delicia o som dos nossos risos misturados no meio das nossas brincadeiras parvas com a comida.

Acabamos de comer, os risos deram lugar a olhares de carinho e desejo, as brincadeiras deram lugar a toques e beijos. Estávamos só nós ali e no calor do momento quem se põe a pensar? Estávamos a viver um dos momentos mais bonitos da nossa relação.

Infelizmente esse momento foi manchado para sempre…

No calor e entrega do momento ouvimos alguém. Separamos os nossos corpos e ficamos alerta. Eu estava assustada e segurei firmemente no braço dele. Ele olhava em redor, igualmente assustado, embora me tenha parecido que estava mais preocupado comigo que com ele, afinal, protegeu-me nos seus braços e disse que estava tudo bem.

Apesar das suas palavras, a tranquilidade durou pouco.

Olhei por cima do ombro dele e vi um homem. Dei um pulo de susto, mas nem tive tempo de gritar, ele puxou o Rodrigo pelo braço e o apunhalou. O som de dor que ele tentou conter foi uma facada em mim. Gritei de dor pelo seu sofrimento.

Sabia que devia fugir, mas estava congelada, colada ao chão na impossibilidade de o abandonar e, logo de seguida, na impossibilidade de me soltar das mãos daquela coisa, daquele bicho, pois homem não era, era um bicho.

Fui atirada ao chão.

O Rodrigo ainda estava vivo. Conseguia ouvi-lo respirar a grande esforço e tossir, ele estava a tossir, a tossir sangue, a esvaziar-se pela ferida e pela boca, a boca que minutos antes me beijará e antes disso sorrira para mim.

Tentei me soltar, gritei pelo Rodrigo, gritei tanto o seu nome, implorei tanto que não morresse, implorei tanto que aquele monstro me largasse, lutei por mim, lutei por ele, mas foi inútil.

O grande amor da minha vida não apenas morreu diante dos meus olhos, como a última coisa que viu nessa vida foi a pessoa que mais o amava e que ele mais amava a ser de outro contra a sua vontade, a gritar, a sofrer e ele impotente, morrendo com a sua e com a minha dor a lhe pesar na alma.

Nunca consegui amar verdadeiramente outro homem. Limito-me a me entregar a quem me quiser numa busca inútil por um amor que não posso recuperar.
Publicada por Unknown à(s) 15:41

1 comentário:

Anónimo disse...

Pode ser demasiado dramatico mas é mesmo assim por vezes isso acontece so espero nao passar pelo mesmo... texto fixe ;D

17 de novembro de 2011 às 10:52

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