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Eterna Mortal

As palavras escritas são eternas, os seus autores, por outro lado, são meros mortais. Sendo eu mortal e minhas palavras eternas, que eu seja "Eterna Mortal".

sábado, 12 de junho de 2010

Abri os Braços e Saltei

Uma tristeza se apoderou de mim. Uma tristeza se apoderou de meus pés e me fez arrastar-me. Arrastei-me seguindo melancolicamente a minha tristeza. Seguindo a minha dor, a minha angústia.

Quando acordei dessa angústia cegante e condutora, estava num penhasco.

Que bela visão…

Ali de cima, vi minha paz, vi o mar me seduzindo pela beleza, pela tranquilidade tempestiva e infinita, profunda e condutora. Foi até ali que a minha frustração me levou. Estava de pé a olhar o poder que se apoderava de mim. A olhar para baixo com os olhos presos ao céu. Abri os barços e me banhei no vento de olhos cerrados e cabeça tombada para trás, para trás,” tudo o que está para trás não importa”, só vi o poder a apoderar-se de mim, vi-o de olhos fechados, vi-o pelo meu corpo. Meu corpo não sentiu mais nada. Só sentiu o poder do vento. A liberdade da força da gravidade foi-me insinuada pelo vento.

Sento-me…

Ali sentada, já nada tinha a gritar, já nada tinha a chorar, já nada tinha a lembrar, já não tinha nada que me prendesse a esse mundo a não ser o vento, o vento que me insinuava o poder da liberdade na força da gravidade.

Abro os meus olhos…

Minhas pernas já se encontravam fora da área de terra, de rocha, de ligação com a vida, ligação com o mal, ligação com o passado. Passado que terminava ali. Passado que já não importava. Minhas pernas já não gritavam, já não choravam, já não me culpavam pelas feridas que transportavam ou pelas cicatrizes que me levavam. Minhas pernas me diziam que para lá, para lá da rocha, da terra, se encontra paz.

Uma sensação incrível e apoderam-te que começou a tomar conta de mim, tal criança encantada com um abraço de pai e mãe. E eu queria sentir esse abraço. Queria ser abraçada pelo ar, lançada ao encontro do chão e ali morrer no frio e carinhoso abraço de morte com a terra depois de atravessar toda a liberdade e paz do ar. Últimos momentos agarrados á vida. “Momento em que serei livre, serei ar, serei leve, serei paz, serei livre de dor e serei apenas um corpo morto a cair para a vida, morrendo logo em seguida, ao menos saberei o que é estar viva quando estiver a morrer. Pois viver não é isso. Estou vazia e morta antes sequer de morrer. E morrerei sabendo o que é estar viva, nem que seja por um segundo. Morrerei vivendo na queda. Morrerei depois do salto.”

Fecho os olhos, engulo em seco, encho o peito de ar, salto…

Sorrio e choro na queda.

Não me arrependo.

Não posso voltar atrás e repetir a experiência.

Minhas lágrimas são deixadas para trás ao longo do percurso.

Minha magoa me abandona.

Estou viva.

Expiro em mais uma lágrima e mais um sorriso.

Embato o chão…

Estive vive na queda e morri nela…

Ao embater o chão tudo terminou.

Não lembro de nada.

Não lembro sequer de dor ou medo.

Não lembro se havia algo bonito do outro lado.

Lembro que antes de me entregar ao ar, tudo era mau e doloroso e ali sim, ali antes de estar no ar, ali sentia medo, ali sentia dor, ali sentia-me morta e agora estou viva.

O meu salto para a morte, foi o meu salto para a vida.

Acordei desse salto para a vida do outro lado da linha da morte.

Acordei com dores, acordei confusa e sem noção do tempo ou espaço. Acordei no céu. Um quarto vazio e branco. Acordei numa cama. Acordei no hospital. Estava viva… Estou viva. Uma lágrima que não sei se de alivio ou de dor escorreu-me pelo canto do olho. Chorei no silêncio até o ponteiro atingir a hora seguinte e alguém entrar a ver como estava eu. Sim! Alguém queria saber como eu estava. Uma enfermeira de branco e sorriso triste. Mais triste que a minha vida e fez-me tão feliz a ver. Ver alguém que respirava e que não era Deus.

Perguntou-me como me sentia e o meu sorriso banhado em lágrimas respondeu-lhe: “Sinto-me viva…”

E de facto estava. Viva como nunca estivera. Sozinha como sempre, mas sem sentir a solidão. Grata por estar viva. Grata por uma oportunidade de começar de novo. Os meus problemas continuavam a existir, mas já não importavam, porque não era suposto eu existir e, no entanto, ali estava eu, a gastar oxigénio e a ocupar uma cama e a usar gesso, apanhando o frio do ar condicionado e a ouvir o paciente do lado a tossir.

Tudo tão real e tão mais bonito que a minha antiga vida antes de saltar para a morte.

Saltar foi o que fez estar viva agora e saltaria novamente se voltasse atrás e estivesse de volta ao ante-salto, se estivesse novamente morta, saltaria para a vida saltando de encontro da morte.

Meus amigos me visitaram naquele hospital. Todos estupefactos com a minha súbdita mudança. Eu ria, eu ria e sorria e abraçava toda a gente. Ignorava a dor física e mostrava o quanto me sentia bem por eles estarem ali e por eu estar ali e poder vê-los e senti-los e falar com eles.

Meus pais choraram ao me ver. De alegria, de culpa, de incompreensão e alivio por eu estar bem, tão bem. Abri os braços para os receber, mais um abraço aos que aqui iam ficar, que iam chorar a minha morte e culpar-se pelo que eu é que fiz, eu é que quis, eu é que deveria me sentir culpada por faze-los passar por tal coisa.

Compensei o meu acto de loucura com a minha felicidade súbita e a minha vida interior renascida em mim pelo tubo na garganta que me arranhava a faringe.

Na queda, uma costela perfurou-me um pulmão, parti alguns ossos e fiz umas feridas. Uma das quais tiveram de remover uma pedra com cirurgia. Remover a pedra que eu tinha na nuca, pouco a cima da testa e que felizmente não me causou nem morte, nem danos.

Sai do hospital como outra. Recusei a cadeira de rodas, pelo menos até ao carro. Queria voltar a andar, mostrar a todos que estava bem, viva e feliz. Caminhei até ao carro, com dores por todo o lado e o meu peito a arder numa dor maior, não só pelo meu coração acelerado em alegria como pelo pulmão ainda magoado.

Agora não imagino como seria não estar aqui. Faltar a tantos aniversários, tantos natais, tantas festas e tantas idas á praia ou ao centro-comercial. Não ir aos saldos é impensável. E como poderia o mundo ser o mesmo se eu não tivesse comprado aquele carro que é lindo como tudo ou se não tivesse abraçado os meus pais todos os dias desde aquele dia e dito a todos os meus amigos como os adoro?

De certo que o meu mundo seria muito diferente. De certo que todos os que adoro não seriam tão felizes como são com todo o amor e felicidade que tenho em mim e que lhes dedico. Ganhei uma força e uma vida no lugar vazio enorme que estava em mim quando me atirei. Penso que todo o ar que se atravessou no meu caminho na queda entrou em mim e me encheu de paz, de liberdade e de amor.
Publicada por Unknown à(s) 07:02 1 comentários

sábado, 5 de junho de 2010

O Salvador de Helena

...................
Salvador, um homem de quarenta anos, trabalhava numa loja de brinquedos e adorava crianças. Bom pai, bom marido, boa pessoa. No entanto, um destruidor.

Salvador nunca perde um aniversário dos filhos.

Salvador destrói sonhos de criança. Alimentava-se de sonhos e da inocência.

Uma menina que olha uma boneca na prateleira. A mãe puxa a menina, afinal ela já tem tantas bonecas. Mas Salvador não resiste a oferecer-lhe aquela boneca, sorrindo à mãe depois, como se tivesse feito uma boa acção e como que esperasse a sua aprovação. A mãe sorri de volta, estranhando o gesto, mas admirando a bondade que ainda resta no mundo. Logo se vê de onde a inocência da menina vem.

A menina feliz sai da loja e mete-se no carro.

Dai a três dias, a menina vê Salvador num banco distante da árvore em que passava os recreios de escola. Salvador está triste e isso deixa a menina triste… e curiosa. Ela aproxima-se e pergunta o que se passa com toda a ternura de criança que pode existir num beicinho triste e num olhar doce.
As mãos de salvador esfregam-se uma na outra. Tal como fazemos antes de comer a última fatia de bolo que está guardada no armário e que era para a nossa avó. Maldade? Sim! Mas a avó vive bem sem esse pedaço de bolo. Mas a menina não. A menina nunca se poderá esquecer daquela fatia de bolo. A menina não se pode esquecer da maldade. Mas a menina só quer fazer Salvador rir…

Salvador faz uma concha segura onde guarda as mãos da menina. A menina Helena. Que doce criança de porcelana. Que linda criança feita do mais delicioso bolo. Que delicadeza nas mãos indefesas.

Enfim… Já é tarde, e Helena, que ouvia o som das lágrimas de Salvador a cair na sua pele de louça abraçada em suas mãos, está agora a um passo do som de lágrimas a cair sobre pedra.

Salvador oferece-se para a levar a casa. Ele seria incapaz de deixar a indefesa Helena voltar para o infantário agora que todas as crianças estão ao molhe a correr para os braços dos pais. Pobre mãe que iria ver a filha a correr para os seus braços com o vestido rosa de folhos tal qual boneca para lhe sujar a camisa branca de trabalho. Não! Salvador não que aconteça tal triste cena. Diz à menina que sua mãe a espera em casa dele. Com leite e bolachas e quem sabe se mais uma boneca? Pois… Quem sabe?

Helena, menina esperta para a idade, larga um grande sorriso de entusiasmo e pergunta se a mãe a espera. Mas é claro que espera. A mãe dela está a sua espera. E nisso Salvador não iria mentir. Sua mãe a espera.

Por fim, chegam a sua casa. Realmente, que bonita boneca a esperava. Uma boneca bem grande, de caracóis loiros como os seus e bochechas rosada. Até os vestidos são parecidos. Helena fica encantada com tanta beleza e semelhança numa boneca. Foi como encontrar a sua gémea. Parte da sua família. Feita na mesma louça que a sua pele.

Sempre carinhoso, Salvador pergunta-lhe se ela quer brincar. Entusiasmada como só ela, grita logo que sim. Que miúda tão viva. E de vivacidade percebe Salvador. Que sempre gostou de crianças. Tão bom pai, tão bom marido…

Salvador propõe um jogo. Um jogo em que ela não pode perder. Um jogo para ganhar aquela boneca. Salvador garante que não tem mal nenhum jogar aquele jogo. Helena sabe que não. Ia lá o homem com quem a mãe tanto simpatizou e que com tanto carinho a trata jogar um jogo mau com ela? Claro que não! Helena estava segura com o seu amigo Salvador.

Salvador disse-lhe o que fazer e Helena não quis. Helena não achou piada ao jogo. Não queria jogar. Então Salvador irritou-se. E Helena chorando obedeceu e jogou.

Salvador pus a menina no colo e tocou-lhe. Tocou-lhe onde não se deve tocar numa menina e penetrou um dedo onde uma menina não deveria saber ser possível enfiar seja o que for. Helena chorava. Mas Salvador sussurrou-lhe que estava tudo bem. Para ela relaxar e perguntou-lhe se não sabia bem o que ele estava a fazer. Helena disse que não. Mas Salvador explicou-lhe que essa era a resposta errada e continuou a dar-lhe carinho. Voltou a perguntar e Helena acenou com a cabeça afirmativamente limpando uma lágrima num amuo de menina.

Com o mesmo carinho, Salvador, que sempre foi bom pai e todos na vila o sabiam e o admiravam por tal, Salvador pediu à menina que lhe abrisse a braguilha. Sorriu ao ver a delicadeza da menina a obedecer e a esforçar-se por abrir aquele pesado fecho. Claro que Salvador ajudou. Salvador sempre adorou ajudar. Especialmente as crianças. E quem não o admirava por tanto carinho para com as crianças?

Mas ali estava ele. A ensinar coisas que não devem ser ensinadas e a fazer coisas que não devem ser feitas e apesar de parecer tudo tão errado a Helena, aquele era o homem que a mãe tanto simpatizava e não podia ser mau.
Depois de aberta a braguilha, foi exposto o brinquedo que ele queria oferecer a Helena. Ela não queria brincar mais. Aquele brinquedo era feio e não queria brincar. Salvador, sempre paciente, admirado pela paciência, sempre lhe disseram que devia ser professor. Lá Salvador esteve a explicar a Helena que não havia maldade no que eles estavam a fazer. Mas que para ela voltar a ver a mãe tinha de brincar.

Helena ficou triste, mas decidiu obedecer. Fez o que Salvador pediu e fingiu que aquele brinquedo era um gelado. Um gelado com um sabor horrível, mas que ela tinha de fingir gostar. Teve de lamber o gelado de cima a baixo. Depois salvador enfiou-o goela abaixo, afinal as crianças têm de comer tudo até ao fim, e ainda bateu-lhe na cabeça para a comida não ficar entalada na garganta.

Claro que Helena não gostou. Habituais birra de criança a que Salvador já estava habituado. Gritou com ela para que parasse de chorar e continua-se senão nunca mais iria ver a sua mãe.

Entre lágrimas e soluços, Helena continuou. Só pensava em abraçar a mãe e poder chorar no seu colo. Em vez disso estava a jogar um jogo contra a sua vontade.

Salvador gemia, seus aplausos por ela jogar tal qual como ele queria. Não julguemos Salvador como mau. Ele perguntou a Helena se estava cansada desse jogo. Ela acenou que sim. Ele pegou nela ao colo e deu-lhe um carinho no cabelo. Perguntou-lhe se ela gostava de carinho. Ela enroscou a sua cabeça no colo dele, como que pedindo que ele não a obrigasse a fazer mais nada. E ele deixou-a descansada.

Helena, eu estou aqui para cuidar de ti. Eu gosto muito de ti, minha linda. Vou dar-te muito carinho e estás segura aqui.

Helena que se sentia tão desprotegida abraçou-o ao sentir que já estava tudo bem.

Salvador ficou encantado com a ternura dela e deu-lhe mais carinho. Voltou a descer a mão para sítios que não devia e enquanto lhe dizia coisas com amor e carinho ao ouvido tocava-lhe como se de um mimo vulgar se trata-se.
A menina já estava mais calma apesar de assustada. Com as palavras carinhosas e com os mimos que ele fazia parecerem normais ele avançou um pouco mais. Despiu o vestido da menina, dizendo-lhe que era para a boneca, pois a boneca ia ficar tão linda com aquele vestido. Helena não se atreveu a negar. E ainda lhe despiu as cuecas, claro que Helena não ousou contrariar.

Posteriormente a estar despida, salvador cuspiu para a sua mão e esfregou-a na pureza da menina. Esfregou e até lambeu. Tudo como carinho normal. Depois levou a menina a sentar-se de pernas abertas sobre si. Ela chorou um bocadinho. No entanto, Salvador a abraçou e cuidou dela. Sossegou a menina e fê-la mover-se para seu próprio prazer.

Uma menina de cinco anos a mover-se para prazer de um homem de quarenta. Ele a tocar onde bem entendia e ela a chorar pela mãe. Como queria ela agora a mãe. Como aquela boneca lhe parecia insignificante. Tudo o que Helena queria era sentir-se segura no colo da mãe e poder chorar sem que se zangassem.

O terror ainda não tinha terminado, o inocente jogo ainda estava a decorrer. Terminando dentro da menina e rasgando-se o falso silêncio com um gemido final do grande homem que tanta admiração merecia.

Claro que foi Salvador que encontrou a menina na ribeira a morrer afogada. Salvador a salvou de morrer afogada e a levou ao hospital com sinais de abuso apagados os vestígios do seu abusador na água. Que canalha teria feita tal maldade a uma criança tão linda? Ainda bem que Salvador apareceu para a salvar. Que grande homem. Que homem bom.

A mãe de Helena abraçou-a com tanta força quanto pôde, chorando as mesmas lágrimas que a filha. Mas a filha sabia porque chorava e a mãe chorava na alegria de a ter de volta. Julgava-a morta. Levada por algum pedófilo para nunca mais voltar. Aquela mãe agradecida abraçou o salvador de sua filha. Abraçou-o com enorme gratidão.

Aquele grande homem, aquele herói que sempre foi bom pai e bom marido estava na sua presença e ela não podia estar mais agradecida.

Salvador negou qualquer louro por ter salvo tão inocente criança saindo depois de um carinhoso beijo na cabeça da menina que estava muda do trauma entre lágrimas e soluços interrompidos por dor física e magoa de violência calada em gritos de dor na sua mente.

Helena nunca contou nada á mãe. Pois se conta-se Salvador iria buscá-la e matá-la. Foi o que ele lhe disse, e ela só podia acreditar. Nunca Helena quis ir outra vez comprar brinquedos. Chorava só pela mãe mencionar o nome de Salvador. A agradecida mãe julgava a filha traumatizada pelo ocorrido, não queria nem ver seu Salvador para não se lembrar o que o padeiro lhe fizera. Pois só podia ter sido o padeiro. Aquele homem horrível. Nunca gostou de crianças. Gritava com toda a gente. Um arrogante, um mal-educado. Um cobarde que desapareceu depois desse dia.

Ai… Como se lamentava na vila que não houvessem mais bons homens como o Salvador da loja de brinquedos.
Publicada por Unknown à(s) 04:57 2 comentários
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