Não é triste?
Amar. Amar profundamente alguém. Depositar nessa pessoa todo
o nosso afeto e carinho. Depositar nossas esperanças, sonhos e aspirações.
Amar. Amar verdadeiramente alguém que não nos ama de volta…
Não é triste?
Eu acho triste!
Acho perdidamente triste ser de alguém que te deixa à chuva!
Ao frio! Ao abandono…
Olhar para trás e lembrar o que nunca tiveste. O que nunca
foi teu. O que não podes ter de volta… A ilusão do talvez. A esperança do é
possível. A fé de no futuro, quem sabe…
É realmente muito triste!
Reconhecer que essa pessoa nunca te vai amar como a amas…
Nunca te vai lembrar como a lembras
Nunca vai sentir essa dor que apetece chorar, apetece
gritar, apetece ir a correr ter com essa pessoa e dizer “Eu nunca te disse
isso, mas eu amo-te! Quero-te na minha vida! Quero-te!”
Palavras sem som… sem ritmo… sem força… sem folego…
Palavras que nunca viram a luz do dia.
Que nunca irão ver…
É realmente muito triste amar assim. Amar em segredo, à
distância de um presente tão longe do passado e eternamente mais distante do
futuro.
Como se pode ter tantas saudades de alguém que não perde um
só segundo a pensar em nós? Como pode estar em todos os nossos pensamentos, em
todos os meus pensamentos alguém que não perde um segundo a pensar em mim…
Apenas indiferente à minha memória, à minha lembrança.
Uma marca deixada por mim que jamais foi notada. Pois apenas
e só em mim ficou marcada!
Eu amei!
Eu amo!
Sempre amei!
Sempre amarei!
É por isso que é triste!
Por isso que é eternamente triste!
Viver na dor, na saudade, na presente ausência, na constante
lembrança de que quem me é tudo e não me deve nada. Não me deve a sua presença.
No entanto, reservei um espaço maior que o mundo em meu coração. Dói-me a sua
ausência.
Um pedaço de mim permanece vazio: Incompleto.