Invisivel era a minha cor
Muda a minha voz
Surda a minha razão
Ignorada a opinião
Fui criança abandonada na sua solidão
Apenas acompanhada por um suspiro na imensidão
Ombros pesados
Ouvidos carregados
Desabafos ouvidos
Jamais partilhados
Criança que ofereceu colo
Sem colo que a embalasse
Saciada sede nas próprias lágrimas
Alimentada da minha dor
Só conhecendo uma cor
Cinzenta era a luz que relúxia ao longe
Negra a luz que brilhava sobre mim
Veneno me entrava pelos ouvidos
Lágrimas rolavam em tom de passeio pelo meu rosto
Casa sem pilares que fui
Telhado pesado que segurei
O cuco tocou uma e duas e mais talvez
Cresci uma e outra vez
Centimetros e anos foram alicerces da mansão
Em que não habito mas está em construção
Inverno, Outono e até Verão
Trouxeram cor e calor a criança de outrora
Uma qualquer
Essa é a história da criança agora mulher