"Não nteressa no que acreditas desde que acredites nalguma coisa."
Não interessa o que queres fazer, mas o que estás a fazer.
Não interessa quem queres ser, mas quem pensas que és.
Não interessa os teus erros, mas o que aprendeste com eles.
Muda a tua maneira de pensar e estarás a mudar-te a ti mesmo.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
sábado, 12 de novembro de 2011
Apaixona-te pelo teu sorriso. Ama-te!
Amor só dói três vezes: quando o perdeste, quando tens medo de o perder e quando tens de o perder.
Por essa razão nunca percas o amor da pessoa mais importante da tua vida:
Tu próprio!
Pensa bem.
Todos os outros podes perder. Muitos vais perder por muito que doa. No entanto, vais ter de te “aturar” para sempre.
Além disso, quando uma pessoa se casa jura fidelidade, lealdade, amor eterno nos bons e nos maus momentos, na pobreza e na riqueza na saúde e na doença até que a morte os separe.
Bem, não devíamos todos ter amor eterno por nós próprios até morrermos? Não devíamos jurar a nós mesmos ser fieis aos nossos princípios e leais às nossas convições? Não devíamos lutar por nos amarmos nos bons e nos maus momentos? Na saúde e na doença? Na riqueza e na pobreza?
Eu acredito que sim.
Acredito que todos nos devíamos casar connosco próprios. Tornarmo-nos na pessoa mais importante das nossas vidas. Fazer de tudo para nos tornarmos um pouco mais felizes a cada dia. Ter gestos bonitos para connosco próprios.
Não digo para te casares com uma pessoa parecida a ti. Não. Nos apaixonamos pelas pessoas que nos oferecem o que nós precisamos e não que são clones de nós. Quero mesmo que te ames a ti e que só depois disso ames alguém que te complete.
Logo, nutre, alimenta o amor que devias sentir por ti próprio.
Afinal, pensa comigo, ninguém tem o mesmo sorriso que tu. Ninguém tem a mesma energia. Ninguém tem o mesmo conjunto de qualidades que tu tens. É um conjunto único de qualidades que só tu tens e só tu podes explorar e fazê-las crescer.
Resumindo: Ninguém é tão bom a fazer de tu como tu próprio. És um ser único na Terra e é essa pessoa que deves amar a cima de todas as outras. A pessoa única e incrível que és.
Não te achas incrível?
Então não te conheces.
Todos os seres humanos têm algo de incrível.
A capacidade de amar, de sentir empatia, de se expressar, de criar arte, de falar, de ouvir, de compreender, de rir. Mais nenhum ser no mundo ri e o teu riso é único. Os seres humanos têm capacidades enormes e incríveis. Por isso se te achas vulgar, comum ou miserável não te conheces.
Por muito bom que seja ter alguém no mundo que nos ame. Que nos ouça. Que nos dê carinho e nos faça sentir especiais, importantes. Que nos faça sentir que a nossa existência é algo vital. Não precisas que seja alguém a fazê-lo. Podes ser essa pessoa.
Podes mimar-te. Podes ouvir-te. Podes amar-te e ter consciência de que és especial e de que és importante e sem dúvida que a tua vida é vital porque as pessoas que sentem tudo isso por si próprias contagiam os outros com a sua felicidade.
Se queres ser feliz tens de primeiramente ser feliz com quem tu és. Com a pessoa fantástica que és e não vês. Precisas mesmo que alguém te diga o quão fantástico és? Viveste contigo toda a tua vida. Superaste coisas que nunca pensaste vir a superar. Venceste batalhas que pensavas que ias perder. Foste tu quem viveu a tua vida e ela tem de ter valor para ti senão de que valeu a viveres?
Bem, devia ser pecado ou até mesmo crime não se amar. Por isso para de contribuir para a infelicidade do mundo.
Se queres que a tua vida mude tens de mudar a tua vida.
Abre as portas às coisas boas do mundo, porque sim, há coisas boas no mundo. Abre-te e apaixona-te, aprende a amar-te e serás uma pessoa muito mais forte. Pois quem se ama não se afoga em magoas: deixa-as ir.
Por essa razão nunca percas o amor da pessoa mais importante da tua vida:
Tu próprio!
Pensa bem.
Todos os outros podes perder. Muitos vais perder por muito que doa. No entanto, vais ter de te “aturar” para sempre.
Além disso, quando uma pessoa se casa jura fidelidade, lealdade, amor eterno nos bons e nos maus momentos, na pobreza e na riqueza na saúde e na doença até que a morte os separe.
Bem, não devíamos todos ter amor eterno por nós próprios até morrermos? Não devíamos jurar a nós mesmos ser fieis aos nossos princípios e leais às nossas convições? Não devíamos lutar por nos amarmos nos bons e nos maus momentos? Na saúde e na doença? Na riqueza e na pobreza?
Eu acredito que sim.
Acredito que todos nos devíamos casar connosco próprios. Tornarmo-nos na pessoa mais importante das nossas vidas. Fazer de tudo para nos tornarmos um pouco mais felizes a cada dia. Ter gestos bonitos para connosco próprios.
Não digo para te casares com uma pessoa parecida a ti. Não. Nos apaixonamos pelas pessoas que nos oferecem o que nós precisamos e não que são clones de nós. Quero mesmo que te ames a ti e que só depois disso ames alguém que te complete.
Logo, nutre, alimenta o amor que devias sentir por ti próprio.
Afinal, pensa comigo, ninguém tem o mesmo sorriso que tu. Ninguém tem a mesma energia. Ninguém tem o mesmo conjunto de qualidades que tu tens. É um conjunto único de qualidades que só tu tens e só tu podes explorar e fazê-las crescer.
Resumindo: Ninguém é tão bom a fazer de tu como tu próprio. És um ser único na Terra e é essa pessoa que deves amar a cima de todas as outras. A pessoa única e incrível que és.
Não te achas incrível?
Então não te conheces.
Todos os seres humanos têm algo de incrível.
A capacidade de amar, de sentir empatia, de se expressar, de criar arte, de falar, de ouvir, de compreender, de rir. Mais nenhum ser no mundo ri e o teu riso é único. Os seres humanos têm capacidades enormes e incríveis. Por isso se te achas vulgar, comum ou miserável não te conheces.
Por muito bom que seja ter alguém no mundo que nos ame. Que nos ouça. Que nos dê carinho e nos faça sentir especiais, importantes. Que nos faça sentir que a nossa existência é algo vital. Não precisas que seja alguém a fazê-lo. Podes ser essa pessoa.
Podes mimar-te. Podes ouvir-te. Podes amar-te e ter consciência de que és especial e de que és importante e sem dúvida que a tua vida é vital porque as pessoas que sentem tudo isso por si próprias contagiam os outros com a sua felicidade.
Se queres ser feliz tens de primeiramente ser feliz com quem tu és. Com a pessoa fantástica que és e não vês. Precisas mesmo que alguém te diga o quão fantástico és? Viveste contigo toda a tua vida. Superaste coisas que nunca pensaste vir a superar. Venceste batalhas que pensavas que ias perder. Foste tu quem viveu a tua vida e ela tem de ter valor para ti senão de que valeu a viveres?
Bem, devia ser pecado ou até mesmo crime não se amar. Por isso para de contribuir para a infelicidade do mundo.
Se queres que a tua vida mude tens de mudar a tua vida.
Abre as portas às coisas boas do mundo, porque sim, há coisas boas no mundo. Abre-te e apaixona-te, aprende a amar-te e serás uma pessoa muito mais forte. Pois quem se ama não se afoga em magoas: deixa-as ir.
domingo, 6 de novembro de 2011
Sozinhos
No Mundo de Sofia
Dor é o seu interior com apenas nove anos. E toda a dor que sentia era o fardo que carregava. O fardo de crescer depressa demais. Aprender a ser forte cedo demais. Há quem nunca aprenda a ser forte. Sofia aprendeu demasiado bem.
Ódio era o seu pequeno-almoço. Ela saboreava o ódio, mastigava-o e engolia com um sorriso nos lábios. Como quem come uma fatia de bolo de chocolate feito pelo mãe. No entanto, Sofia nunca teve mãe, nunca teve pai, nunca teve irmãos. Nunca ninguém lhe mostrou amor.
Muitas pessoas no lugar dela se tornariam fracas, deprimidas, vulneráveis e revoltadas com tudo e todos. Ela não. Para além da revolta tudo era o oposto. Era destemida, uma guerreira.
Ao contrário do que era de esperar ela sabia chorar. Nunca ninguém lhe viu a cara encharcada ou os olhos inflamados de magoa. Mas ela sabia o que era perder o fôlego, perder a firmeza da voz, perder água pelos olhos.
De perder ela percebia tudo.
Afinal perdera tudo o que tinha e nunca teve nada pois não chegou a criar memórias do que por a natureza lhe deu.
Até o pássaro mais feio e descabelado de uma espécie teve uma mãe e um pai que lhe ensinassem a voar. Sofia nasceu em queda livre e sem lhe darem asas voou.
Apesar de viver na casa do velho mais velho que havia no mundo que ela conhecia ela não sabia o que era um teto. Passavas os dias na mata a explorar. Ali reinava paz. Havia algo de reconfortante em ver as formigas a trabalhar em conjunto; os pássaros a cantarem uns para os outros; os peixes calados a nadar de um lado para o outro sem incomodar nada nem ninguém.
Era diferente do seu mundo onde as pessoas a olhavam de cima abaixo. Uns com pena, outros com desdém. Havia ruídos, murmúrios, maldade, inveja, censuras, intrigas, ganância, egoísmo, ódio e muito mais.
Era raro o dia em que ela se ponha no telhado de uma casa a olhar as crianças brincarem no recreio da escola. Crianças da mesma idade que ela. Claro que ela era diferente. Ela não podia descer e brincar com eles. Ninguém queria a maria-rapaz esquisita por perto.
Nem ela os queria por perto. Eram uma espécie estranha para ela. As meninas a pentear bonecas e falar mal das bonecas das outras e quando chegavam a casa choravam e berravam por uma boneca igual. Os meninos a atirar pedras uns aos outros, traiam os amigos.
Não. Ela não queria fazer parte deles. A vida não a tinha criado para ser assim. Ela era diferente e como tudo o que é diferente, era posta de parte.
No ano seguinte, com dez anos, ela conheceu um rapaz quando andava na mata. Surpresa agarrou num pau e mostrou-lhe que ele não era bem-vindo. Bateu-lhe tanto que os animais fugiram da fera. Ele nem se tentou defender o que a irritou.
- Porque não lutas, idiota? – E atiçou-o com o pau.
- Porque me estás a bater?
- Não és bem-vindo aqui. Desaparece. Sai.
- Não!
- O quê? Qual é o teu problema? Gostas que te batam?
- Não. – E agarrou-a pelo braço e em dois segundos ela estava no chão. – Estava à espera de uma oportunidade para te mostrar isso.
- Larga-me! Idiota! Larga-me, vai-te embora e nunca mais voltes!
Ele riu-se bem alto. Tão alto que lhe alimentou a raiva.
- És tão engraçada. Estás em desvantagem, já reparaste?
E sem dúvida de que estava. Ela estava com a cara esmagada no chão, ele com um joelho nas costas dela a segurar-lhe os pulsos com apenas uma mão. Ele até podia estar a comer uma sandes que não fazia diferença. Continuava em vantagem.
- Espera só um pouco que já vamos ver quem está em desvantagem.
- Gostava de te ver tentar.
Ela sorriu. Claro que ele não viu esse sorriso diabólico porque a cara dela estava colada ao chão.
- Estás a magoar-me.
- Não caio nessa.
- Estou a falar a sério. Estás a magoar-me. Por favor! Sai de cima de mim.
Ele não estava mesmo a acreditar nela. Era mais velho que ela. Não ia ser enganado por uma menina.
No entanto, quando ouviu os soluços dela…
- Estás a chorar?
- Esse é o único sítio no mundo que é meu. Porque me queres tirar isso? Tu tens um lar. Gostavas que fosse até lá, te prendesse ao chão e te fizesse sentir desprotegido? Esse é o meu lar. Por isso sai de cima de mim.
Diante de um discurso desses ele se sentiu um intruso. Não podia negar que se alguém lhe fizesse o mesmo se sentiria mal. Para além disso, uma menina. Ele estava a intimidar uma menina.
- Desculpa. – Saiu de cima dela. – Estás bem? – Ajudou-a a levantar-se.
- Estou! Não preciso da tua ajuda.
- Eu estava só a tentar ajudar.
- Acabei de dizer que não preciso da tua ajuda. Qual é o teu problema? Audição ou inteligência?
- Foi um prazer conhecer-te. – Disse ele desistido de boas maneiras e simpatia.
Virou as costas e foi-se embora.
- Agradecia que não voltasses.
Ele nem se deu ao trabalho de responder.
Em casa não deixava de pensar naquela pirralha malcriada.
“Quem ela pensa que é? Aquilo é dela para ela me tratar daquela maneira? Que miúda de irritante. Só por isso vou lá amanhã. Ela deve achar que manda em alguma coisa.”
Noutra casa à mesma hora Sofia pensava o mesmo.
“Miúdo parvo.”
A verdade é que por muito boa que tenha sido a primeira impressão deles, ele tinha sido a primeira pessoa com quem ela falara em anos para além do velho com quem vivia a quem a última conversa foi “Volta mais cedo que preciso que vás comprar leite” e ela “Tá”.
No dia seguinte lá estava o intruso.
- Que fazes aqui? – Gritou furiosa.
- Não tens nada a ver com isso. – Respondeu indiferente.
- Eu disse-te para não voltares.
- Eu ouvi-te bem.
- Ah! Então sem dúvida que o teu problema é inteligência, ou melhor dizendo, a falta dela.
- Deve ser.
- Sai daqui!
Ele continuou encostado ao tronco, fechou os olhos e sorriu ao de leve.
- Já!!!! Sai!
- Vou ficar por cá mais um pouco.
Ela ficou mais que irritada. Pronta para o matar. Completamente pronta para o matar.
Agarrou-o pela camisa e com a cara a dois centímetros da dele e um milhão de toda a raiva que já tinha sentido na vida e berrou-lhe na cara bem devagar para que ele percebesse cada palavra.
- Essa é a minha mata. Essa é a minha árvore. Esse é o meu chão. Até o ar que estás a respirar é meu. Por isso vais sair daqui a bem ou mal.
- Eu prefiro a mal.
Ela ia bater-lhe mas ele antecipou-se e mais depressa do que um pestanejar lá estava ela de volta ao chão a gritar e contorcer-se. A berrar e espernear. A ferver de raiva, de fúria de ódio.
LARGA-ME
VAIS ARREPENDER-TE
ODEIO-TE
EU VOU MATAR-TE
SOLTA-ME
- Para quieta!
- Eu vou dar cabo de ti.
- Para quieta. Eu não te vou magoar.
- Mas eu vou magoar-te a ti.
- PARA! - Gritou a sacudi-la. – JÁ CHEGA!
- O que queres de mim?
- Quero perceber a razão para tanto ódio, para começar.
- Eu já te disse. Esse é o meu mundo. Volta para o teu mundo reles e deixa o meu em paz. Deixa-me sozinha.
- Tu estás sozinha.
Ela ficou calada.
Os dois comunicavam apenas com olhares. Na verdade, era a primeira vez que viam a cor dos olhos um do outro pois não estavam vendados de raiva.
- Quem és tu? – Perguntou ela.
- O meu nome é Bruno e o teu?
- Sofia.
- Bonito nome.
- Ok.
- Uau. Essa eu não conhecia.
- O quê?
- Normalmente as pessoas dizem obrigada quando são elogiadas.
- Elogiaste o meu nome… Não o escolhi. Não me elogiaste a mim. Pede agradecimentos a quem o escolheu se te faz feliz.
- Caramba, és tão irritante.
- Então porque não me deixas em paz?
- Incomoda-te assim tanto a minha presença?
- Tenho de ir.
- Pensava que querias que eu me fosse embora.
- Mas não está a resultar, pois não?
- E vais desistir?
- Vou-me apenas embora.
- Isso a mim soa-me a desistir.
- Depois vemos isso. Já agora, se estás a pensar passar cá a noite cuidado com as cobras.
- Quais cobras?
E já ela ia longe para responder.
- Aqui não há cobras… - Tentou convencer-se disso e fugiu dali para fora.
Ele voltou no dia seguinte e ela não apareceu. O mesmo no dia seguinte e no dia depois desse.
“Talvez ela tenha mesmo desistido” Pensou.
No quarto dia em que ele lá foi e ela não apareceu ele ficou irritado. Mesmo muito irritado e não sabia porquê.
“Tanta coisa tanta coisa e ela desiste.
- Ai eu não vou desistir; eu sou a dona disso tudo; a dona do mundo; não és bem-vindo.
Tudo conversa. Ela achava que eu ia cair na conversa dela? Que me ia deixar intimidar por uma menina pequenina? Nem em sonhos.”
Nessa noite ele adormeceu ainda irritado sem razão específica. Acordou uma hora mais tarde com frio. Foi fechar a janela.
- Olá.
- Que fazes aqui? – Perguntou surpreendido depois de se virar e a reconhecer.
- Não tens nada a ver com isso.
- Como assim? Essa é a minha casa.
- Pois é. E a tua mãe cozinha bem. Gostei do que ela fez para o jantar.
- O quê?
- Acabei de vir da cozinha. Acho que deixei alguma coisa. Gostas de maça?
- Mas quem pensas que és?
- Fala baixo que os teus pais estão a dormir. Não queres que eles vejam uma rapariga no teu quarto, pois não?
- O que fazes aqui?
- É assim tão difícil de perceber? Estou a fazer-te o mesmo que me fizeste a mim.
- Eu não entrei na tua casa durante a noite, comi a tua comida e fui chatear-te para o teu quarto.
- Foi precisamente o que fizeste. Eu a viver a minha vida e quando dou por mim está um estranho no meu quarto a mexer em tudo como se fosse dele.
Aquilo é meu. Afasta-te da minha mata e eu não volto á tua casa.
E ela foi-se embora sem esperar por mais conversas.
Ele não voltou mais lá. Até que passadas umas semanas a viu em cima do telhado de uma casa a olhar para as crianças do recreio. Algo nisso o tocou. Talvez a solidão dela, talvez a sua própria solidão.
Sim, ele tinha amigos e família. Mas não tinha alguém em quem pudesse confiar. Os amigos o traiam por pastilha elástica, a família, bem, era uma família normal. Nenhum miúdo de doze anos fala com os pais ou irmãos.
Ela era diferente. Como ela própria tinha dito, pertencia a um mundo diferente. Sim, ela o irritava, o deixava doido de raiva. Mas ele não podia negar que não a conseguia tirar da cabeça.
De qualquer das formas, ele foi à mata no dia seguinte na esperança de a encontrar.
Ela estava lá. No lago por debaixo da cascata que se desfazia numa suave ribeira de som hipnotizante. Ela estava a nadar. Assim à distância, calada, não parecia uma pirralha irritante.
Infelizmente ela ouviu um ruído.
- Quem está ai?
Ele não respondeu.
- Eu consigo ouvir a tua respiração. Mostra-te.
- Sou eu. – Apareceu de entre as folhas.
- Outra vez?
- Sim. É verdade.
- O que queres?
- Conversar.
- Comigo?
- Sim.
- Porquê? – Estava admirada.
- Porque estás para aqui sozinha. Então achei…
- Achaste mal. Queres conversa por pena? Acho que não tens apenas um problema. Na verdade acho que só há uma coisa direita em ti.
- E qual é essa coisa?
Ela pensou por um segundo.
- Não. Esquece. Não há mesmo nada que esteja bem.
- É tão difícil falar contigo.
- Então porque tentas?
- Não sei. Apenas quero. E não é tarefa fácil.
- És tão esquisito.
- Fala a rapariga que diz viver numa mata.
- Tens algum problema com isso?
- Não. É a tua casa é a tua casa. Nada contra. Mas é esquisito.
- Uma coisa do outro mundo?
Ele percebeu o que ela queria dizer.
- Sim. Tens razão. Somos de mundos diferentes.
- Que idade tens?
- Hoje faço treze e tu?
- Vou fazer onze.
- Ou seja, tens dez.
- Sim. Tenho dez. Isso também é esquisito?
- Não. Mas não pareces ter dez. A maneira como falas…
- O que tem a maneira como falo?
- Não sei. És diferente.
- Isso é porque não me vês com barbies nas mãos, nem a cobiçar o que é dos outros. Não me vês a ser como o resto do mundo que vive em pecado.
- És religiosa?
- Não. Nem sou santa nenhuma. Só tenho nojo de gente assim. E tu és como eles.
- O que é que eu fiz para pensares isso de mim?
- São todos iguais.
- Estás enganada. Tu vês as coisas de fora. As coisas não são bem assim.
- Então vais-me dizer que no teu mundo as pessoas não são invejosas, maldosas, gananciosas? Vais-me dizer que não passam por cima de quem for para terem o que querem? Que não traem as pessoas que confiam neles? Não mentem? Não magoam? Não são cruéis? É porque eu vejo isso tudo.
- Sim. Há isso tudo e tenho pena que haja. Mas também há coisas boas.
- Como o quê? A comida da mamã? O dinheiro? O álcool e sexo fácil? Olha que nem aliança no dedo, nem idade impede ninguém.
- Não pareces ter dez anos. Tens uma visão tão cínica do mundo. Dizes que vês tanta coisa. Não vês bondade, não vês carinho, não vês honestidade? Nunca viste felicidade e amizade?
- Oh. Existe tanta bondade em passar por um mendigo na rua a pedir uma esmola e a única pessoa que o ajuda é alguém que roubou pão da casa de alguém. E essa pessoa fui eu. E sabes qual a gratidão que recebi? Nada. Pois ele queria era dinheiro.
- Sabes o que é que eu vejo? Uma miúda rejeitada e revoltada com o mundo.
- Não são eles que me rejeitam. Eu os rejeito a eles. Eles não me podem dar nada que queria.
- Não queres uma família?
- O quê? Uma família como a tua? O que é que eles te dão de tão bom que eu possa crer?
- Amor.
- Não. Eles não te amam. És apenas mais uma boca para sustentar. Uma cama para fazer. Mais roupa para lavar. Um miúdo que eles nem conhecem. Diz-me. O que é que eles sabem sobre ti? Sabem o que sentes? O que pensas? O que sonhas? Acreditam em ti? Dão-te apoio? Nada. Eles não te dão nada a não ser a ilusão de que tens muito.
- Ilusão?! Tu tens é inveja porque não tens ninguém. Toda a gente sabe que os teus pais não te quiseram. Não tens nada.
- E, no entanto, tenho mais do que tu.
- Ai tens? O que é que tens?
- Tenho tudo isso. Essa mata, tenho liberdade, tenho a verdade.
- Não tens nada. Tens solidão.
- Que é o mesmo que tu. Estamos todos sozinhos à nossa sorte. Só que eu sei que estou sozinha e tu achas que não estás.
- Tão cínica.
- Dizes isso agora. Quando chegares a casa vais ficar a pensar no que estou a dizer e vais perceber que tenho razão.
Ele não suportou mais aquela conversa idiota, pessimista e cínica e foi-se embora.
Como ela disse durante o jantar ele estava a pensar no que ela tinha dito.
- Eu hoje tive na mata.
- Que foste lá fazer? – Perguntou a mãe.
- Fui ver uma amiga minha.
- Uma amiga na mata?! Deve ser, deve. – Disse a irmã.
- Sim. Ela está sempre lá.
- Filho, o que foi que eu te disse sobre mentir? Mentir é feio. – Disse a mãe.
- Eu não estou a mentir.
- Ninguém vive na mata. – Retorquiu a irmã.
- Vive sim.
- O que foi que eu acabei de dizer? – Repetiu a mãe.
- Eu não estou a mentir!
- Não fales assim com a tua mãe. Pede desculpa. – Ordenou o pai.
- Não. Eu não estou a mentir.
- Vai já para o teu quarto.
- Mas…
- Já!
Ele nem podia acreditar. A família dele não acreditava nele. Ela tinha razão. Eles não sabiam nada sobre ele. Nem acreditavam nele. Nunca o apoiaram na vida. Ele estava mesmo sozinho. Ok, tinha amigos. Amigos que o traiam por pastilha elástica. E quando cresceram o iam trair por dinheiro, por falta de princípios, por vingança ou qualquer idiotice. Estava sozinho. Sempre esteve.
Estava com tanta raiva dela por ela ter razão. Ela tirou-lhe a ilusão que ele tinha. Disse-lhe que o pai Natal não existe. E ele estava com tanta raiva dela porque preferia acreditar no pai Natal que na realidade dura de que tinha menos que ela e ela não tinha nada.
No dia a seguir ele não apareceu na mata. Não queria ir lá. Não queria falar com ela. Estava zangado com ela. Nem no dia depois desse. Se ele nunca mais a visse na vida estava bom para ele. Isso foi assim por coisa de duas semanas.
Ela estava na mata todos os dias e ele não aparecia. Ela estava a estranhar a ausência dele. Nem podia acreditar, mas, sim, ela até que sentia um pouco de saudades. Como era possível? Ele era apenas um intruso, um estranho. Ele fazia parte do outro mundo. O mundo que ela desprezava.
Ela não podia estar com saudades dele.
Mas estava.
Então nessa noite ela voltou a entrar pela janela do quarto dele e acordou-o.
- Olá.
- Que estás a fazer aqui?
- Nunca mais apareceste.
- Pensava que querias que não voltasse lá.
- E porque me fizeste a vontade?
- Que pergunta de estúpida. Deixa-me dormir.
- Não. Hoje sou eu que quero conversar.
- Conversar como da última vez que conversamos? Dispenso.
- Porquê?
- Estás a brincar, só pode. Disseste-me que estamos todos sozinhos. Deixa-me estar sozinho sozinho. E fica sozinha sozinha. Não quero ficar sozinho contigo.
- Mas nós estamos sozinhos.
- Sim eu sei. Mas não temos de ficar sozinhos juntos. Vai-te embora.
- Eu não quero ficar sozinha.
- Lamento mas estás. Não foi o que me disseste?
- Sim. Mas contigo sinto-me menos sozinha.
- Eu não me sentia sozinho e agora graças a ti sinto. Por isso vai ficar sozinha para outro sítio.
- Aposto que te sentes sozinho porque nunca mais apareceste na mata. Sabes que não sou como eles. Tu não és como eles.
- Achas que és muito importante por seres diferente? És apenas uma pirralha irritante que conheci num passeio à mata.
- Ok. Eu vou-me embora. Diverte-te com a tua companhia. – Ela não escondia tristeza.
A tristeza dela o incomodou. O irritou.
Ela estava triste. Ela estava habituada a tristeza. Estava habituada a dor. Apesar disso, dessa vez era diferente. Não era uma dor que ela conhecesse. Não era uma tristeza que ela já tivesse sentido.
Ele a voltou a ver dois dias depois sentada no telhado, com a cabeça encostada a uma chaminé a olhar as crianças a brincar com recreio. Estava triste. Uma tristeza capaz de ferir. Ele nunca pensou que algum dia a visse assim. Não sabia que ela sequer capaz de sentir tristeza.
Continuava furioso. Já nem havia razão para estar furioso ao vê-la assim, mas estava. No entanto, lá foi ele até á mata esperar que ela saísse de cima do telhado e fosse lá ter.
Ela apareceu duas horas depois. Ele estava impaciente.
- Demoraste a aparecer. – Disse ele.
- Tu também. – Sorriu.
Ele nunca a tinha visto sorrir. Era um bonito sorriso. Nunca tinha visto um sorriso assim. Tão real. Tão honesto. Ela não estava a sorrir para parecer bonita, ela estava a sorrir porque lhe apetecia sorrir, tinha motivos para sorrir e esse motivo era ele. Dai aquele sorriso a deixar deslumbrante.
Ele sorriu-lhe de volta. Um sorriso que a fez sentir pela primeira vez na vida que não estava sozinha. Ela tinha acabado de fazer um amigo. Tinha acabado de criar a sua família. Uma pequena e invulgar, mas sua.
Sentaram-se e conversaram. Conversaram por horas. Não interessava o que estavam a dizer. Não estavam a ouvir as palavras. Estavam a ouvir os olhares, os sorrisos, os gestos. Estavam a ler o corpo um do outro. A ler tudo o que eles estavam a dizer. Tudo o que não pode ser dito em palavras.
Por meses que se encontraram todos os dias. Se falhavam um dia ficavam irrequietos, ansiosos por se voltarem a ver. Ela o mostrou toda a beleza da mata. As folhas, os pássaros, os peixes, as flores. Ficavam a olhar para cada coisa como se nunca tivessem visto na vida. Como se nunca tivessem visto uma flor ou uma pedra.
Ele mostrou-lhe todos os sabores. Trazia-lhe comida, sobremesas. Sabores que ela nunca tinha provado. Ela comia apenas frutas na mata e sopas na casa do velho que lhe dava teto por recados. Agora descobriram sabores novos.
Ambos descobriram juntos um mundo novo. Um mundo só deles em que mais ninguém podia entrar.
Descobriram felicidade.
Estava tudo perfeito. Mas a perfeição não existe…
Ele estava á espera dela na mata, mas ela não apareceu.
Ele não sabia onde a encontrar. Não era normal ela não apareceu. O que ele podia fazer?
Ele procurou-a em todos os sítios que ela lhe mostrou e mais. Quase se perdeu. Mas em vez disso perdeu-a.
Todos os dias ele voltava lá à espera dela. Passaram meses e ela não aparecia. Ele nunca pensou que fosse possível, mas ela tinha desaparecido. As lágrimas desceram-lhe pela cara. Onde ela estaria? Que lhe teria acontecido? Ela não podia o ter abandonado. Ele amava-a.
Aos poucos ele começou a aparecer cada vez menos na mata. A esperança começou a desaparecer, o sabor da felicidade desapareceu e agora ele sentia mais dor do que alguma vez tinha sentido. Por fim, ele só ia á mata uma ou duas vezes por ano. Não na esperança de a encontrar, mas porque aquele era o único sitio onde ele tinha sido feliz.
Haviam-se passado seis anos e ele ainda recordava o sorriso dela. Ainda se interrogava do que lhe poderia ter acontecido. Ela não podia ter desaparecido da vida dele. Não o podia ter abandonado sem uma boa razão para isso. Tinha de estar morta. E ele ia rezar a sua morte. Às vezes contava-lhe coisas da sua vida. Falava para o vento na esperança de que ela ouvisse.
Lá estava ele. Sentado à frente da árvore de olhos fechados a contar-lhe como tinha saudades do sorriso dela. “ Ainda me lembro da primeira vez que me sorriste. Dava tudo para voltar a ver esse sorriso.”
- Bruno?
Ele abriu os olhos e procurou aquela voz.
- Sofia?
Ela sorriu com os olhos a encherem-se de lágrimas. Lágrimas já desciam pela cara dele.
- Nem acredito que estás aqui.
- Nem acredito que estás viva.
- Tive tantas saudades tuas.
- Impossível terem sido mais que as que tive.
- Porque nunca me escreveste? Nunca respondeste às minhas cartas.
- Que cartas? Nunca recebi cartas nenhumas.
- Eu escrevi-te todos os dias. Por meses.
- Nunca recebi nada. Pensei que me tivesse morrido.
- Pensei que me tivesses abandonado.
- Nunca.
- Nem eu a ti. O meu tio apareceu um dia e levou-me com ele. – Apertou as mãos dele nas suas. - Não acredito que nunca te deram as minhas cartas…
- Agora estás aqui. O que tens para me dizer? – Perguntou mergulhando nos
olhos dela.
Estavam a centímetros um do outro. Havia tanta coisa que ela lhe quis dizer durante esses anos. Havia, no entanto, apenas uma de que ela se lembrava naquele momento.
- Eu amo-te! – As lágrimas tornaram-se mais espessas.
Ele apertou-a nos seus braços e fez algo que desejava fazer á anos. Beijou-a com todo o amor, paixão, desejo e saudade que tinha. Um beijo que disse tudo o que nunca tinha sido dito. Tudo o que precisava de ser dito.
- Amo-te tanto Sofia!
Dor é o seu interior com apenas nove anos. E toda a dor que sentia era o fardo que carregava. O fardo de crescer depressa demais. Aprender a ser forte cedo demais. Há quem nunca aprenda a ser forte. Sofia aprendeu demasiado bem.
Ódio era o seu pequeno-almoço. Ela saboreava o ódio, mastigava-o e engolia com um sorriso nos lábios. Como quem come uma fatia de bolo de chocolate feito pelo mãe. No entanto, Sofia nunca teve mãe, nunca teve pai, nunca teve irmãos. Nunca ninguém lhe mostrou amor.
Muitas pessoas no lugar dela se tornariam fracas, deprimidas, vulneráveis e revoltadas com tudo e todos. Ela não. Para além da revolta tudo era o oposto. Era destemida, uma guerreira.
Ao contrário do que era de esperar ela sabia chorar. Nunca ninguém lhe viu a cara encharcada ou os olhos inflamados de magoa. Mas ela sabia o que era perder o fôlego, perder a firmeza da voz, perder água pelos olhos.
De perder ela percebia tudo.
Afinal perdera tudo o que tinha e nunca teve nada pois não chegou a criar memórias do que por a natureza lhe deu.
Até o pássaro mais feio e descabelado de uma espécie teve uma mãe e um pai que lhe ensinassem a voar. Sofia nasceu em queda livre e sem lhe darem asas voou.
Apesar de viver na casa do velho mais velho que havia no mundo que ela conhecia ela não sabia o que era um teto. Passavas os dias na mata a explorar. Ali reinava paz. Havia algo de reconfortante em ver as formigas a trabalhar em conjunto; os pássaros a cantarem uns para os outros; os peixes calados a nadar de um lado para o outro sem incomodar nada nem ninguém.
Era diferente do seu mundo onde as pessoas a olhavam de cima abaixo. Uns com pena, outros com desdém. Havia ruídos, murmúrios, maldade, inveja, censuras, intrigas, ganância, egoísmo, ódio e muito mais.
Era raro o dia em que ela se ponha no telhado de uma casa a olhar as crianças brincarem no recreio da escola. Crianças da mesma idade que ela. Claro que ela era diferente. Ela não podia descer e brincar com eles. Ninguém queria a maria-rapaz esquisita por perto.
Nem ela os queria por perto. Eram uma espécie estranha para ela. As meninas a pentear bonecas e falar mal das bonecas das outras e quando chegavam a casa choravam e berravam por uma boneca igual. Os meninos a atirar pedras uns aos outros, traiam os amigos.
Não. Ela não queria fazer parte deles. A vida não a tinha criado para ser assim. Ela era diferente e como tudo o que é diferente, era posta de parte.
No ano seguinte, com dez anos, ela conheceu um rapaz quando andava na mata. Surpresa agarrou num pau e mostrou-lhe que ele não era bem-vindo. Bateu-lhe tanto que os animais fugiram da fera. Ele nem se tentou defender o que a irritou.
- Porque não lutas, idiota? – E atiçou-o com o pau.
- Porque me estás a bater?
- Não és bem-vindo aqui. Desaparece. Sai.
- Não!
- O quê? Qual é o teu problema? Gostas que te batam?
- Não. – E agarrou-a pelo braço e em dois segundos ela estava no chão. – Estava à espera de uma oportunidade para te mostrar isso.
- Larga-me! Idiota! Larga-me, vai-te embora e nunca mais voltes!
Ele riu-se bem alto. Tão alto que lhe alimentou a raiva.
- És tão engraçada. Estás em desvantagem, já reparaste?
E sem dúvida de que estava. Ela estava com a cara esmagada no chão, ele com um joelho nas costas dela a segurar-lhe os pulsos com apenas uma mão. Ele até podia estar a comer uma sandes que não fazia diferença. Continuava em vantagem.
- Espera só um pouco que já vamos ver quem está em desvantagem.
- Gostava de te ver tentar.
Ela sorriu. Claro que ele não viu esse sorriso diabólico porque a cara dela estava colada ao chão.
- Estás a magoar-me.
- Não caio nessa.
- Estou a falar a sério. Estás a magoar-me. Por favor! Sai de cima de mim.
Ele não estava mesmo a acreditar nela. Era mais velho que ela. Não ia ser enganado por uma menina.
No entanto, quando ouviu os soluços dela…
- Estás a chorar?
- Esse é o único sítio no mundo que é meu. Porque me queres tirar isso? Tu tens um lar. Gostavas que fosse até lá, te prendesse ao chão e te fizesse sentir desprotegido? Esse é o meu lar. Por isso sai de cima de mim.
Diante de um discurso desses ele se sentiu um intruso. Não podia negar que se alguém lhe fizesse o mesmo se sentiria mal. Para além disso, uma menina. Ele estava a intimidar uma menina.
- Desculpa. – Saiu de cima dela. – Estás bem? – Ajudou-a a levantar-se.
- Estou! Não preciso da tua ajuda.
- Eu estava só a tentar ajudar.
- Acabei de dizer que não preciso da tua ajuda. Qual é o teu problema? Audição ou inteligência?
- Foi um prazer conhecer-te. – Disse ele desistido de boas maneiras e simpatia.
Virou as costas e foi-se embora.
- Agradecia que não voltasses.
Ele nem se deu ao trabalho de responder.
Em casa não deixava de pensar naquela pirralha malcriada.
“Quem ela pensa que é? Aquilo é dela para ela me tratar daquela maneira? Que miúda de irritante. Só por isso vou lá amanhã. Ela deve achar que manda em alguma coisa.”
Noutra casa à mesma hora Sofia pensava o mesmo.
“Miúdo parvo.”
A verdade é que por muito boa que tenha sido a primeira impressão deles, ele tinha sido a primeira pessoa com quem ela falara em anos para além do velho com quem vivia a quem a última conversa foi “Volta mais cedo que preciso que vás comprar leite” e ela “Tá”.
No dia seguinte lá estava o intruso.
- Que fazes aqui? – Gritou furiosa.
- Não tens nada a ver com isso. – Respondeu indiferente.
- Eu disse-te para não voltares.
- Eu ouvi-te bem.
- Ah! Então sem dúvida que o teu problema é inteligência, ou melhor dizendo, a falta dela.
- Deve ser.
- Sai daqui!
Ele continuou encostado ao tronco, fechou os olhos e sorriu ao de leve.
- Já!!!! Sai!
- Vou ficar por cá mais um pouco.
Ela ficou mais que irritada. Pronta para o matar. Completamente pronta para o matar.
Agarrou-o pela camisa e com a cara a dois centímetros da dele e um milhão de toda a raiva que já tinha sentido na vida e berrou-lhe na cara bem devagar para que ele percebesse cada palavra.
- Essa é a minha mata. Essa é a minha árvore. Esse é o meu chão. Até o ar que estás a respirar é meu. Por isso vais sair daqui a bem ou mal.
- Eu prefiro a mal.
Ela ia bater-lhe mas ele antecipou-se e mais depressa do que um pestanejar lá estava ela de volta ao chão a gritar e contorcer-se. A berrar e espernear. A ferver de raiva, de fúria de ódio.
LARGA-ME
VAIS ARREPENDER-TE
ODEIO-TE
EU VOU MATAR-TE
SOLTA-ME
- Para quieta!
- Eu vou dar cabo de ti.
- Para quieta. Eu não te vou magoar.
- Mas eu vou magoar-te a ti.
- PARA! - Gritou a sacudi-la. – JÁ CHEGA!
- O que queres de mim?
- Quero perceber a razão para tanto ódio, para começar.
- Eu já te disse. Esse é o meu mundo. Volta para o teu mundo reles e deixa o meu em paz. Deixa-me sozinha.
- Tu estás sozinha.
Ela ficou calada.
Os dois comunicavam apenas com olhares. Na verdade, era a primeira vez que viam a cor dos olhos um do outro pois não estavam vendados de raiva.
- Quem és tu? – Perguntou ela.
- O meu nome é Bruno e o teu?
- Sofia.
- Bonito nome.
- Ok.
- Uau. Essa eu não conhecia.
- O quê?
- Normalmente as pessoas dizem obrigada quando são elogiadas.
- Elogiaste o meu nome… Não o escolhi. Não me elogiaste a mim. Pede agradecimentos a quem o escolheu se te faz feliz.
- Caramba, és tão irritante.
- Então porque não me deixas em paz?
- Incomoda-te assim tanto a minha presença?
- Tenho de ir.
- Pensava que querias que eu me fosse embora.
- Mas não está a resultar, pois não?
- E vais desistir?
- Vou-me apenas embora.
- Isso a mim soa-me a desistir.
- Depois vemos isso. Já agora, se estás a pensar passar cá a noite cuidado com as cobras.
- Quais cobras?
E já ela ia longe para responder.
- Aqui não há cobras… - Tentou convencer-se disso e fugiu dali para fora.
Ele voltou no dia seguinte e ela não apareceu. O mesmo no dia seguinte e no dia depois desse.
“Talvez ela tenha mesmo desistido” Pensou.
No quarto dia em que ele lá foi e ela não apareceu ele ficou irritado. Mesmo muito irritado e não sabia porquê.
“Tanta coisa tanta coisa e ela desiste.
- Ai eu não vou desistir; eu sou a dona disso tudo; a dona do mundo; não és bem-vindo.
Tudo conversa. Ela achava que eu ia cair na conversa dela? Que me ia deixar intimidar por uma menina pequenina? Nem em sonhos.”
Nessa noite ele adormeceu ainda irritado sem razão específica. Acordou uma hora mais tarde com frio. Foi fechar a janela.
- Olá.
- Que fazes aqui? – Perguntou surpreendido depois de se virar e a reconhecer.
- Não tens nada a ver com isso.
- Como assim? Essa é a minha casa.
- Pois é. E a tua mãe cozinha bem. Gostei do que ela fez para o jantar.
- O quê?
- Acabei de vir da cozinha. Acho que deixei alguma coisa. Gostas de maça?
- Mas quem pensas que és?
- Fala baixo que os teus pais estão a dormir. Não queres que eles vejam uma rapariga no teu quarto, pois não?
- O que fazes aqui?
- É assim tão difícil de perceber? Estou a fazer-te o mesmo que me fizeste a mim.
- Eu não entrei na tua casa durante a noite, comi a tua comida e fui chatear-te para o teu quarto.
- Foi precisamente o que fizeste. Eu a viver a minha vida e quando dou por mim está um estranho no meu quarto a mexer em tudo como se fosse dele.
Aquilo é meu. Afasta-te da minha mata e eu não volto á tua casa.
E ela foi-se embora sem esperar por mais conversas.
Ele não voltou mais lá. Até que passadas umas semanas a viu em cima do telhado de uma casa a olhar para as crianças do recreio. Algo nisso o tocou. Talvez a solidão dela, talvez a sua própria solidão.
Sim, ele tinha amigos e família. Mas não tinha alguém em quem pudesse confiar. Os amigos o traiam por pastilha elástica, a família, bem, era uma família normal. Nenhum miúdo de doze anos fala com os pais ou irmãos.
Ela era diferente. Como ela própria tinha dito, pertencia a um mundo diferente. Sim, ela o irritava, o deixava doido de raiva. Mas ele não podia negar que não a conseguia tirar da cabeça.
De qualquer das formas, ele foi à mata no dia seguinte na esperança de a encontrar.
Ela estava lá. No lago por debaixo da cascata que se desfazia numa suave ribeira de som hipnotizante. Ela estava a nadar. Assim à distância, calada, não parecia uma pirralha irritante.
Infelizmente ela ouviu um ruído.
- Quem está ai?
Ele não respondeu.
- Eu consigo ouvir a tua respiração. Mostra-te.
- Sou eu. – Apareceu de entre as folhas.
- Outra vez?
- Sim. É verdade.
- O que queres?
- Conversar.
- Comigo?
- Sim.
- Porquê? – Estava admirada.
- Porque estás para aqui sozinha. Então achei…
- Achaste mal. Queres conversa por pena? Acho que não tens apenas um problema. Na verdade acho que só há uma coisa direita em ti.
- E qual é essa coisa?
Ela pensou por um segundo.
- Não. Esquece. Não há mesmo nada que esteja bem.
- É tão difícil falar contigo.
- Então porque tentas?
- Não sei. Apenas quero. E não é tarefa fácil.
- És tão esquisito.
- Fala a rapariga que diz viver numa mata.
- Tens algum problema com isso?
- Não. É a tua casa é a tua casa. Nada contra. Mas é esquisito.
- Uma coisa do outro mundo?
Ele percebeu o que ela queria dizer.
- Sim. Tens razão. Somos de mundos diferentes.
- Que idade tens?
- Hoje faço treze e tu?
- Vou fazer onze.
- Ou seja, tens dez.
- Sim. Tenho dez. Isso também é esquisito?
- Não. Mas não pareces ter dez. A maneira como falas…
- O que tem a maneira como falo?
- Não sei. És diferente.
- Isso é porque não me vês com barbies nas mãos, nem a cobiçar o que é dos outros. Não me vês a ser como o resto do mundo que vive em pecado.
- És religiosa?
- Não. Nem sou santa nenhuma. Só tenho nojo de gente assim. E tu és como eles.
- O que é que eu fiz para pensares isso de mim?
- São todos iguais.
- Estás enganada. Tu vês as coisas de fora. As coisas não são bem assim.
- Então vais-me dizer que no teu mundo as pessoas não são invejosas, maldosas, gananciosas? Vais-me dizer que não passam por cima de quem for para terem o que querem? Que não traem as pessoas que confiam neles? Não mentem? Não magoam? Não são cruéis? É porque eu vejo isso tudo.
- Sim. Há isso tudo e tenho pena que haja. Mas também há coisas boas.
- Como o quê? A comida da mamã? O dinheiro? O álcool e sexo fácil? Olha que nem aliança no dedo, nem idade impede ninguém.
- Não pareces ter dez anos. Tens uma visão tão cínica do mundo. Dizes que vês tanta coisa. Não vês bondade, não vês carinho, não vês honestidade? Nunca viste felicidade e amizade?
- Oh. Existe tanta bondade em passar por um mendigo na rua a pedir uma esmola e a única pessoa que o ajuda é alguém que roubou pão da casa de alguém. E essa pessoa fui eu. E sabes qual a gratidão que recebi? Nada. Pois ele queria era dinheiro.
- Sabes o que é que eu vejo? Uma miúda rejeitada e revoltada com o mundo.
- Não são eles que me rejeitam. Eu os rejeito a eles. Eles não me podem dar nada que queria.
- Não queres uma família?
- O quê? Uma família como a tua? O que é que eles te dão de tão bom que eu possa crer?
- Amor.
- Não. Eles não te amam. És apenas mais uma boca para sustentar. Uma cama para fazer. Mais roupa para lavar. Um miúdo que eles nem conhecem. Diz-me. O que é que eles sabem sobre ti? Sabem o que sentes? O que pensas? O que sonhas? Acreditam em ti? Dão-te apoio? Nada. Eles não te dão nada a não ser a ilusão de que tens muito.
- Ilusão?! Tu tens é inveja porque não tens ninguém. Toda a gente sabe que os teus pais não te quiseram. Não tens nada.
- E, no entanto, tenho mais do que tu.
- Ai tens? O que é que tens?
- Tenho tudo isso. Essa mata, tenho liberdade, tenho a verdade.
- Não tens nada. Tens solidão.
- Que é o mesmo que tu. Estamos todos sozinhos à nossa sorte. Só que eu sei que estou sozinha e tu achas que não estás.
- Tão cínica.
- Dizes isso agora. Quando chegares a casa vais ficar a pensar no que estou a dizer e vais perceber que tenho razão.
Ele não suportou mais aquela conversa idiota, pessimista e cínica e foi-se embora.
Como ela disse durante o jantar ele estava a pensar no que ela tinha dito.
- Eu hoje tive na mata.
- Que foste lá fazer? – Perguntou a mãe.
- Fui ver uma amiga minha.
- Uma amiga na mata?! Deve ser, deve. – Disse a irmã.
- Sim. Ela está sempre lá.
- Filho, o que foi que eu te disse sobre mentir? Mentir é feio. – Disse a mãe.
- Eu não estou a mentir.
- Ninguém vive na mata. – Retorquiu a irmã.
- Vive sim.
- O que foi que eu acabei de dizer? – Repetiu a mãe.
- Eu não estou a mentir!
- Não fales assim com a tua mãe. Pede desculpa. – Ordenou o pai.
- Não. Eu não estou a mentir.
- Vai já para o teu quarto.
- Mas…
- Já!
Ele nem podia acreditar. A família dele não acreditava nele. Ela tinha razão. Eles não sabiam nada sobre ele. Nem acreditavam nele. Nunca o apoiaram na vida. Ele estava mesmo sozinho. Ok, tinha amigos. Amigos que o traiam por pastilha elástica. E quando cresceram o iam trair por dinheiro, por falta de princípios, por vingança ou qualquer idiotice. Estava sozinho. Sempre esteve.
Estava com tanta raiva dela por ela ter razão. Ela tirou-lhe a ilusão que ele tinha. Disse-lhe que o pai Natal não existe. E ele estava com tanta raiva dela porque preferia acreditar no pai Natal que na realidade dura de que tinha menos que ela e ela não tinha nada.
No dia a seguir ele não apareceu na mata. Não queria ir lá. Não queria falar com ela. Estava zangado com ela. Nem no dia depois desse. Se ele nunca mais a visse na vida estava bom para ele. Isso foi assim por coisa de duas semanas.
Ela estava na mata todos os dias e ele não aparecia. Ela estava a estranhar a ausência dele. Nem podia acreditar, mas, sim, ela até que sentia um pouco de saudades. Como era possível? Ele era apenas um intruso, um estranho. Ele fazia parte do outro mundo. O mundo que ela desprezava.
Ela não podia estar com saudades dele.
Mas estava.
Então nessa noite ela voltou a entrar pela janela do quarto dele e acordou-o.
- Olá.
- Que estás a fazer aqui?
- Nunca mais apareceste.
- Pensava que querias que não voltasse lá.
- E porque me fizeste a vontade?
- Que pergunta de estúpida. Deixa-me dormir.
- Não. Hoje sou eu que quero conversar.
- Conversar como da última vez que conversamos? Dispenso.
- Porquê?
- Estás a brincar, só pode. Disseste-me que estamos todos sozinhos. Deixa-me estar sozinho sozinho. E fica sozinha sozinha. Não quero ficar sozinho contigo.
- Mas nós estamos sozinhos.
- Sim eu sei. Mas não temos de ficar sozinhos juntos. Vai-te embora.
- Eu não quero ficar sozinha.
- Lamento mas estás. Não foi o que me disseste?
- Sim. Mas contigo sinto-me menos sozinha.
- Eu não me sentia sozinho e agora graças a ti sinto. Por isso vai ficar sozinha para outro sítio.
- Aposto que te sentes sozinho porque nunca mais apareceste na mata. Sabes que não sou como eles. Tu não és como eles.
- Achas que és muito importante por seres diferente? És apenas uma pirralha irritante que conheci num passeio à mata.
- Ok. Eu vou-me embora. Diverte-te com a tua companhia. – Ela não escondia tristeza.
A tristeza dela o incomodou. O irritou.
Ela estava triste. Ela estava habituada a tristeza. Estava habituada a dor. Apesar disso, dessa vez era diferente. Não era uma dor que ela conhecesse. Não era uma tristeza que ela já tivesse sentido.
Ele a voltou a ver dois dias depois sentada no telhado, com a cabeça encostada a uma chaminé a olhar as crianças a brincar com recreio. Estava triste. Uma tristeza capaz de ferir. Ele nunca pensou que algum dia a visse assim. Não sabia que ela sequer capaz de sentir tristeza.
Continuava furioso. Já nem havia razão para estar furioso ao vê-la assim, mas estava. No entanto, lá foi ele até á mata esperar que ela saísse de cima do telhado e fosse lá ter.
Ela apareceu duas horas depois. Ele estava impaciente.
- Demoraste a aparecer. – Disse ele.
- Tu também. – Sorriu.
Ele nunca a tinha visto sorrir. Era um bonito sorriso. Nunca tinha visto um sorriso assim. Tão real. Tão honesto. Ela não estava a sorrir para parecer bonita, ela estava a sorrir porque lhe apetecia sorrir, tinha motivos para sorrir e esse motivo era ele. Dai aquele sorriso a deixar deslumbrante.
Ele sorriu-lhe de volta. Um sorriso que a fez sentir pela primeira vez na vida que não estava sozinha. Ela tinha acabado de fazer um amigo. Tinha acabado de criar a sua família. Uma pequena e invulgar, mas sua.
Sentaram-se e conversaram. Conversaram por horas. Não interessava o que estavam a dizer. Não estavam a ouvir as palavras. Estavam a ouvir os olhares, os sorrisos, os gestos. Estavam a ler o corpo um do outro. A ler tudo o que eles estavam a dizer. Tudo o que não pode ser dito em palavras.
Por meses que se encontraram todos os dias. Se falhavam um dia ficavam irrequietos, ansiosos por se voltarem a ver. Ela o mostrou toda a beleza da mata. As folhas, os pássaros, os peixes, as flores. Ficavam a olhar para cada coisa como se nunca tivessem visto na vida. Como se nunca tivessem visto uma flor ou uma pedra.
Ele mostrou-lhe todos os sabores. Trazia-lhe comida, sobremesas. Sabores que ela nunca tinha provado. Ela comia apenas frutas na mata e sopas na casa do velho que lhe dava teto por recados. Agora descobriram sabores novos.
Ambos descobriram juntos um mundo novo. Um mundo só deles em que mais ninguém podia entrar.
Descobriram felicidade.
Estava tudo perfeito. Mas a perfeição não existe…
Ele estava á espera dela na mata, mas ela não apareceu.
Ele não sabia onde a encontrar. Não era normal ela não apareceu. O que ele podia fazer?
Ele procurou-a em todos os sítios que ela lhe mostrou e mais. Quase se perdeu. Mas em vez disso perdeu-a.
Todos os dias ele voltava lá à espera dela. Passaram meses e ela não aparecia. Ele nunca pensou que fosse possível, mas ela tinha desaparecido. As lágrimas desceram-lhe pela cara. Onde ela estaria? Que lhe teria acontecido? Ela não podia o ter abandonado. Ele amava-a.
Aos poucos ele começou a aparecer cada vez menos na mata. A esperança começou a desaparecer, o sabor da felicidade desapareceu e agora ele sentia mais dor do que alguma vez tinha sentido. Por fim, ele só ia á mata uma ou duas vezes por ano. Não na esperança de a encontrar, mas porque aquele era o único sitio onde ele tinha sido feliz.
Haviam-se passado seis anos e ele ainda recordava o sorriso dela. Ainda se interrogava do que lhe poderia ter acontecido. Ela não podia ter desaparecido da vida dele. Não o podia ter abandonado sem uma boa razão para isso. Tinha de estar morta. E ele ia rezar a sua morte. Às vezes contava-lhe coisas da sua vida. Falava para o vento na esperança de que ela ouvisse.
Lá estava ele. Sentado à frente da árvore de olhos fechados a contar-lhe como tinha saudades do sorriso dela. “ Ainda me lembro da primeira vez que me sorriste. Dava tudo para voltar a ver esse sorriso.”
- Bruno?
Ele abriu os olhos e procurou aquela voz.
- Sofia?
Ela sorriu com os olhos a encherem-se de lágrimas. Lágrimas já desciam pela cara dele.
- Nem acredito que estás aqui.
- Nem acredito que estás viva.
- Tive tantas saudades tuas.
- Impossível terem sido mais que as que tive.
- Porque nunca me escreveste? Nunca respondeste às minhas cartas.
- Que cartas? Nunca recebi cartas nenhumas.
- Eu escrevi-te todos os dias. Por meses.
- Nunca recebi nada. Pensei que me tivesse morrido.
- Pensei que me tivesses abandonado.
- Nunca.
- Nem eu a ti. O meu tio apareceu um dia e levou-me com ele. – Apertou as mãos dele nas suas. - Não acredito que nunca te deram as minhas cartas…
- Agora estás aqui. O que tens para me dizer? – Perguntou mergulhando nos
olhos dela.
Estavam a centímetros um do outro. Havia tanta coisa que ela lhe quis dizer durante esses anos. Havia, no entanto, apenas uma de que ela se lembrava naquele momento.
- Eu amo-te! – As lágrimas tornaram-se mais espessas.
Ele apertou-a nos seus braços e fez algo que desejava fazer á anos. Beijou-a com todo o amor, paixão, desejo e saudade que tinha. Um beijo que disse tudo o que nunca tinha sido dito. Tudo o que precisava de ser dito.
- Amo-te tanto Sofia!
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